Justiça nega liberdade a ‘laranja’ do clã Jafar por desvio de R$ 27 milhões
Apontada como ‘laranja’ da Editora Avante, Rhayane Souza Fanaia teve pedido de liberdade negado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Ela é uma das 16 presas pelo Gaeco na Operação Gutenberg, que revelou esquema que desviou R$ 27 milhões de prefeituras no Estado.
Justiça aponta gravidade das ações da suspeita
As investigações colocam Rhayane no núcleo financeiro e administrativo da organização criminosa comandada pela Família Jafar, sob a liderança de Rossana Paroschi Jafar, que também continua presa. Conforme decisão publicada no Diário da Justiça, a 2ª Câmara Criminal do TJMS entendeu haver indícios suficientes da prática dos crimes, já que Rhayane teria atuado na movimentação e redistribuição de grandes quantias financeiras oriundas dos desvios de verbas públicas.
A defesa de Rhayane alegou que os fatos eram antigos, mas o Tribunal entendeu que a natureza do crime de organização criminosa é permanente. Por fim, o TJMS decidiu manter a prisão preventiva para garantia da ordem pública e para desarticular a atuação do núcleo financeiro do grupo investigado. Ao indeferir o pedido de liberdade, a Justiça ressaltou que a aparente ‘condição de funcionária’ ou ‘laranja’ não tira a gravidade das ações de Rhayane, que atuava de forma direta no fluxo do dinheiro ilícito.
Risco de fuga e contemporaneidade dos crimes
O juiz ressaltou ainda a contemporaneidade dos crimes, que continuaram acontecendo ativamente, e o risco de fuga pela proximidade da região com as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.
Do brechó aos contratos milionários
A trajetória de Rhayane passou a chamar a atenção dos investigadores pela velocidade com que seus negócios escalaram. Poucos meses após fechar um pequeno brechó de roupas em Campo Grande, a jovem abriu a Editora Avante (razão social Souza & Fanaia). Mesmo sem estrutura física adequada nem acervo próprio para vendas em grande escala, a nova empresa passou a fechar contratos milionários com dezenas de prefeituras (como Miranda, Ivinhema, Dourados e Bonito). As compras eram feitas diretamente, sem licitação, sob a justificativa de que a editora tinha ‘exclusividade’ de livros infantis que, na verdade, podiam ser comprados por qualquer pessoa no site de outra distribuidora.
Lista de presos na Operação Gutenberg
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica (presa)
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross (prisão domiciliar)
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul (preso)
- Giovanni Paroschi Jafar – empresário (preso)
- Rhayane Souza Fanaia – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni (presa)
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core) (preso)
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar)
- Joatan Gomes Peixoto – empresário (prisão domiciliar)
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário (preso)
- Francisco Anízio dos Santos – empresário (prisão domiciliar)
- Douglas Henrique de Melo – empresário (preso)
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas (preso)
- Gabriel Taquino de Paula – advogado (preso)
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil (preso)
- Heyder Bartz – empresário (foragido)
- Inácio da Silva Espíndola – ex-vereador e ex-servidor comissionado da Casa Civil de MS (não foi preso)
O primeiro europeu a pisar o MS
Esquece os bandeirantes por um momento. O primeiro europeu a dar as caras nestas terras foi o explorador português Aleixo Garcia, logo em 1524, muito antes de existir qualquer planeamento oficial de colonização.
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