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Estado

Com 60 na fila, Caps Infantil de Corumbá vira alvo do MPMS por falta de psicólogos

MPMS instaurou procedimento para apurar se número de psicólogos no Caps Infantil de Corumbá é suficiente diante de fila de 60 crianças e adolescentes.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 26/09/2026 - 10:58 | Meu MS News
Com 60 na fila, Caps Infantil de Corumbá vira alvo do MPMS por falta de psicólogos
Caps Infantil em Corumbá. (Reprodução)

A 7ª Promotoria de Justiça de Corumbá abriu um procedimento administrativo para acompanhar a oferta de atendimento psicológico no Caps Infantil do município. A medida foi motivada pela constatação de que 60 crianças e adolescentes aguardam na fila de espera, mesmo após a contratação de um segundo psicólogo pela rede municipal.

Fiscalização do Conselho de Psicologia

O caso começou a partir de uma fiscalização do CRP-14/MS (Conselho Regional de Psicologia) em março de 2025. Relatório enviado ao MPMS em setembro de 2025 apontava que a unidade tinha apenas uma psicóloga, que acumulava atendimentos clínicos, função de técnica de referência e coordenação, realizando uma média informada de 600 procedimentos mensais.

Em dezembro de 2025, o núcleo de saúde do MPMS encaminhou o documento para a 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá. Em janeiro de 2026, o promotor Pedro de Oliveira Magalhães abriu apuração e cobrou informações da Secretaria Municipal de Saúde.

Resposta da Secretaria e mudança de promotoria

Em ofício de fevereiro de 2026, a secretária municipal de Saúde, Tatiana da Silva Santos Mattos, informou que a rede tinha 20 psicólogos em exercício e que dois novos haviam sido nomeados — um para o Caps Infantil e outro para o Caps Álcool e Drogas. Na época, 40 pacientes aguardavam atendimento.

Em fevereiro de 2026, a promotora substituta Gabriela Rabelo Vasconcelos transferiu o caso para a 7ª Promotoria de Justiça de Corumbá, responsável pela proteção da infância e juventude. Em abril de 2026, ela solicitou dados atualizados.

Dados atualizados e contestação

Em maio de 2026, a Secretaria informou que o Caps Infantil passou a ter duas psicólogas e que o número de pacientes na fila era de 60, distribuídos entre atendimento em grupo (12 crianças e 10 adolescentes) e individual (16 crianças e 22 adolescentes). O primeiro contato é feito na unidade e a consulta é agendada em 15 a 20 dias corridos, podendo ser antecipada em casos prioritários.

A Secretaria contestou o CRP-14 sobre a média de 600 atendimentos mensais. Segundo relatório de produtividade, em abril de 2026 foram realizados 403 procedimentos totais na unidade, incluindo:

  • Atendimentos em grupo: 252
  • Atendimentos individuais: 118
  • Acolhimentos iniciais: 13
  • Práticas expressivas: 13
  • Atendimentos familiares: 7

Vistoria técnica e continuidade da apuração

Diante da fila persistente, a promotora determinou que uma psicóloga do próprio MPMS realizasse visita técnica ao Caps Infantil em julho de 2026. A ordem de serviço incluiu verificação de carga horária, acúmulo de funções, atuação de estagiários, tempo real de espera, estrutura física e condições de trabalho.

Com o vencimento do prazo da etapa inicial, a promotora converteu o caso em procedimento administrativo em 22 de setembro de 2026. Foi concedido novo prazo para o relatório de vistoria e enviado ofício ao CRP-14 solicitando, em até 10 dias úteis, as normas sobre a quantidade necessária de psicólogos em relação ao número de pacientes em Caps Infantil.

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