Traficante usava construtora de fachada para lavar dinheiro em MS
Lucas da Silva dos Santos, investigado por tráfico de drogas e por negociar desvio de entorpecentes com servidores da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), movimentou mais de R$ 3,2 milhões em contas pessoais e de uma construtora que pertencia a ele. O caso veio à tona na Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).
Movimentação financeira suspeita
Segundo os promotores, as contas de Lucas e da empresa L R Obras e Construções receberam R$ 3,2 milhões. Desse total, R$ 2,5 milhões foram repassados para membros da organização criminosa e familiares do investigado, com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro.
Transferências para policiais
Em 2022, uma transferência de R$ 600 foi feita para o policial civil Neverson Vieira de Araújo. Além disso, o Gaeco identificou repasses que somam R$ 350 mil para familiares do ex-policial militar Alison Lemes Bezerra.
Para o Ministério Público, a construtora nunca teve atividades relevantes e servia apenas como fachada para lavar dinheiro. Lucas usava parentes como “testas de ferro” para esconder o vínculo entre o dinheiro e o tráfico.
Funcionamento do esquema
De acordo com a denúncia, o grupo atuava no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Isso ocorria de duas formas:
- Omissão: parte da droga não era registrada formalmente nos boletins de ocorrência.
- Apropriação direta: entorpecentes eram retirados diretamente do depósito da delegacia.
A droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização, que a reintroduziam no mercado ilegal. Assim, policiais usavam o cargo para atuar como fornecedores do tráfico.
Operação Infiltrados
A operação, realizada em 24 de setembro de 2026, cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram em outubro de 2025, com base em provas das operações Traquetos e Blindspot.
Entre os presos estão policiais civis, militares, um delegado e um policial penal. O nome “Infiltrados” faz referência à presença de criminosos dentro dos órgãos de segurança pública, que usavam suas funções para viabilizar os ilícitos.
O "Tinder" da natureza
Antigamente, a época da "cata da guavira" era a desculpa perfeita para o engate. Ir apanhar a fruta no meio do mato era o momento ideal para os casais namorarem, uma tradição que foi até imortalizada em músicas locais.
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