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Estado

Fiems usa assédio judicial com 12 ações contra jornalistas

Federação das Indústrias de MS entrou com 12 interpelações judiciais contra repórteres do Midiamax para intimidar após reportagens sobre corrupção.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 28/09/2026 - 08:10 | Meu MS News
Fiems usa assédio judicial com 12 ações contra jornalistas
Sérgio Longen, presidente da Fiems. (Madu Livramento, Midiamax)

A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) ajuizou 12 ações na Justiça contra seis jornalistas do Jornal Midiamax, configurando uma prática conhecida como assédio judicial. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) define essa tática como o uso abusivo e intencional do Poder Judiciário para intimidar, silenciar ou causar desgaste financeiro e psicológico a profissionais de imprensa.

Denúncias de corrupção motivam ofensiva jurídica

As ações da Fiems, presidida por Sérgio Longen, foram movidas após a publicação de reportagens investigativas. As matérias apontaram suspeitas de irregularidades na diretoria da entidade, que estaria usando uma rede de CNPJs ‘laranjas’ para manter contratos de difícil mensuração. A Fiems recebe recursos parafiscais de natureza pública, repassados pela Receita Federal — cerca de R$ 60 milhões somente em 2025.

O Jornal Midiamax tentou ouvir a Fiems antes das publicações, por e-mails institucionais e WhatsApp, desde 1º de julho. Não houve resposta. Em vez de esclarecer as suspeitas, a cúpula optou por mover a máquina jurídica contra os repórteres.

STF já condenou prática de assédio judicial

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADIs 6.792 e 7.055, reconheceu que o uso reiterado do Judiciário para constranger jornalistas viola a liberdade de expressão. A tese fixada pela Corte afirma que “constitui assédio judicial comprometedor da liberdade de expressão o ajuizamento de inúmeras ações a respeito dos mesmos fatos, em comarcas diversas, com o intuito ou o efeito de constranger jornalista ou órgão de imprensa”.

CGU pode incluir denúncias em auditorias

Após a repercussão, a Controladoria-Geral da União (CGU) informou que pode incluir a série de reportagens do Midiamax em seu planejamento de auditorias. Em nota, a CGU disse que “notícias veiculadas pela imprensa constituem fonte legítima de informação para proposição de trabalhos de controle interno” e que avaliará as matérias como subsídio para ações em 2027.

Deputada denuncia Longen por violência política

Paralelamente, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) denunciou Sérgio Longen ao Ministério Público Federal por violência política de gênero. O episódio ocorreu durante agenda do ministro da Fazenda, Dário Durigan, na Casa da Indústria. A parlamentar afirma ter sido retirada do elevador “com uso de força bruta” por ordem de Longen. O próprio ministro repudiou publicamente a atitude.

Midiamax toma medidas legais contra assédio

O Jornal Midiamax recebeu solidariedade de entidades de defesa da imprensa e apresentou em juízo pedidos de reconhecimento de assédio judicial e condenação da Fiems por litigância temerária. O advogado do veículo, Thiago Nascimento Lima, afirma: “O STF já deixou claro que o uso reiterado do Judiciário para constranger jornalistas é incompatível com a liberdade de expressão. Seguimos confiando na Justiça e defendendo o direito de informar”.

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