Fiems usa assédio judicial com 12 ações contra jornalistas
A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) ajuizou 12 ações na Justiça contra seis jornalistas do Jornal Midiamax, configurando uma prática conhecida como assédio judicial. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) define essa tática como o uso abusivo e intencional do Poder Judiciário para intimidar, silenciar ou causar desgaste financeiro e psicológico a profissionais de imprensa.
Denúncias de corrupção motivam ofensiva jurídica
As ações da Fiems, presidida por Sérgio Longen, foram movidas após a publicação de reportagens investigativas. As matérias apontaram suspeitas de irregularidades na diretoria da entidade, que estaria usando uma rede de CNPJs ‘laranjas’ para manter contratos de difícil mensuração. A Fiems recebe recursos parafiscais de natureza pública, repassados pela Receita Federal — cerca de R$ 60 milhões somente em 2025.
O Jornal Midiamax tentou ouvir a Fiems antes das publicações, por e-mails institucionais e WhatsApp, desde 1º de julho. Não houve resposta. Em vez de esclarecer as suspeitas, a cúpula optou por mover a máquina jurídica contra os repórteres.
STF já condenou prática de assédio judicial
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADIs 6.792 e 7.055, reconheceu que o uso reiterado do Judiciário para constranger jornalistas viola a liberdade de expressão. A tese fixada pela Corte afirma que “constitui assédio judicial comprometedor da liberdade de expressão o ajuizamento de inúmeras ações a respeito dos mesmos fatos, em comarcas diversas, com o intuito ou o efeito de constranger jornalista ou órgão de imprensa”.
CGU pode incluir denúncias em auditorias
Após a repercussão, a Controladoria-Geral da União (CGU) informou que pode incluir a série de reportagens do Midiamax em seu planejamento de auditorias. Em nota, a CGU disse que “notícias veiculadas pela imprensa constituem fonte legítima de informação para proposição de trabalhos de controle interno” e que avaliará as matérias como subsídio para ações em 2027.
Deputada denuncia Longen por violência política
Paralelamente, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) denunciou Sérgio Longen ao Ministério Público Federal por violência política de gênero. O episódio ocorreu durante agenda do ministro da Fazenda, Dário Durigan, na Casa da Indústria. A parlamentar afirma ter sido retirada do elevador “com uso de força bruta” por ordem de Longen. O próprio ministro repudiou publicamente a atitude.
Midiamax toma medidas legais contra assédio
O Jornal Midiamax recebeu solidariedade de entidades de defesa da imprensa e apresentou em juízo pedidos de reconhecimento de assédio judicial e condenação da Fiems por litigância temerária. O advogado do veículo, Thiago Nascimento Lima, afirma: “O STF já deixou claro que o uso reiterado do Judiciário para constranger jornalistas é incompatível com a liberdade de expressão. Seguimos confiando na Justiça e defendendo o direito de informar”.
Jacaré no prato, mas de forma legal
A carne de jacaré é uma iguaria típica que surpreende muita gente. Mas não há motivo para preocupação com a caça furtiva: o MS é um dos principais produtores desta carne, proveniente estritamente de criadores autorizados e controlados.
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