Anuncie no Meu MS News! 🧉

Divulgue sua empresa para todo o Mato Grosso do Sul. Contatos: [email protected]

Anuncie no Meu MS News! 🧉

Divulgue sua empresa para todo o Mato Grosso do Sul. Contatos: [email protected]

Estado

Fiems pratica assédio judicial com 5 novas ações contra jornalistas

Fiems protocolou cinco interpelações judiciais contra nove jornalistas do Midiamax em um único dia. Fenaj e Sindjor-MS repudiam a intimidação.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 29/09/2026 - 09:33 | Meu MS News
Fiems pratica assédio judicial com 5 novas ações contra jornalistas
Sérgio Longen, presidente da Fiems. (Madu Livramento, Midiamax)

A Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), presidida por Sérgio Longen, protocolou cinco novas interpelações judiciais contra jornalistas do Jornal Midiamax em um único dia. A ofensiva ocorre depois da publicação de reportagens com denúncias de suspeitas de irregularidades na entidade.

Fiems protocola 5 ações contra jornalistas em um dia

Na sexta-feira (25), a federação deu entrada em cinco processos em um intervalo de horas contra nove jornalistas do Midiamax. Até a semana passada, a Fiems já havia ajuizado 12 interpelações relacionadas à cobertura de temas de interesse social.

Entre os temas está a utilização de recursos públicos do convênio de R$ 7 milhões recebido da Semadesc. A Fiems também recebe recursos parafiscais, de natureza pública, que devem somar R$ 60 milhões somente neste ano.

  • Convênio com a Semadesc: R$ 7 milhões em recursos públicos
  • Recursos parafiscais: R$ 60 milhões previstos somente neste ano
  • Ações anteriores: 12 interpelações contra jornalistas
  • Novas ações: 5 protocoladas na sexta-feira
  • Total: 17 processos contra o Midiamax e profissionais de imprensa

Assédio judicial vira alvo de repúdio

Na segunda-feira (28), a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindjor-MS (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul) publicaram nota de repúdio à intimidação judicial e prestaram solidariedade ao Midiamax e aos jornalistas alvos das ações.

O STF (Supremo Tribunal Federal) classifica o assédio judicial como o uso predatório do Poder Judiciário para intimidar a imprensa e violar a liberdade de expressão. A prática ocorre quando diversas ações sobre os mesmos fatos são ajuizadas com o intuito ou o efeito de constranger jornalistas ou de tornar sua defesa excessivamente onerosa.

O que as interpelações questionam

As novas interpelações não tratam diretamente das denúncias de supostas irregularidades na cúpula da Fiems. Elas questionam a cobertura dos desdobramentos nas sessões da Alems (Assembleia Legislativa de MS) sobre a fiscalização do convênio com a Semadesc. As reportagens que motivaram a ofensiva revelaram suspeitas de irregularidades envolvendo membros da diretoria, que estariam usando uma rede de CNPJs “laranjas” para manter contratos de difícil mensuração.

A Fiems também questiona reportagem em que a equipe do Midiamax foi até a sede de uma empresa que mantinha contrato com a entidade e era investigada pelo Ministério Público. O procedimento foi arquivado. Há ainda pedido de interpelação sobre a matéria que detalhou a suspensão de uma licitação após três empresas denunciarem suposto direcionamento no Portal de Compras da própria Fiems.

Deputada e secretário da Fazenda repudiam episódio

A federação cobra explicações sobre a reportagem em que a deputada federal Camila Jara (PT) afirma ter sido barrada por Longen em evento com representante do Ministério da Fazenda. Segundo a parlamentar, a barreira ocorreu por ela defender investigações contra a Fiems. Camila Jara representou contra Longen no MPF (Ministério Público Federal) por possível violência política de gênero.

O caso ganhou repercussão nacional e foi noticiado pela Folha de S. Paulo. No dia seguinte ao evento, Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, repudiou Longen: “Gostaria de deixar aqui de público essa nota de repúdio minha a essa situação […] tem também um viés machista nessa história, o que não condiz com a nossa atuação, com a minha linha de compreensão do mundo”, disse em entrevista ao Midiamax.

Advogado do Midiamax defende liberdade de imprensa

O advogado Thiago Nascimento Lima, responsável pelo jurídico do Midiamax, classificou a ofensiva da Fiems como uma forma de cercear o direito à liberdade de imprensa.

“O STF já reconheceu que o uso reiterado do Poder Judiciário com o intuito ou o efeito de constranger jornalistas e veículos de comunicação configura assédio judicial, prática incompatível com a liberdade de expressão. O direito de ação é legítimo, mas deve servir à tutela de direitos e jamais à intimidação do trabalho jornalístico. Seguimos confiando no Judiciário e defendendo, nos autos, o direito do Midiamax de informar e o direito da sociedade de ser informada”, afirmou.

Fenaj alerta para risco de intimidação

A Fenaj avalia que a quantidade de medidas, a concentração em curto período e o direcionamento contra profissionais que participaram da produção das reportagens despertam preocupação quanto ao uso da judicialização como mecanismo de intimidação.

“A Fenaj e o Sindjor-MS reconhecem o direito de qualquer cidadão ou instituição de recorrer ao Poder Judiciário quando entender que seus direitos foram violados. O acesso à Justiça, entretanto, deve coexistir com as garantias constitucionais da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão e do direito da sociedade à informação”, diz trecho da nota.

“É especialmente preocupante quando o exercício dessas atribuições passa a representar para jornalistas o risco de responder, individualmente e de forma reiterada, a procedimentos judiciais relacionados ao seu trabalho. A liberdade de imprensa não se limita ao direito de publicar: pressupõe condições para que jornalistas possam apurar, perguntar, investigar e informar sem intimidação”, completa.

Fiems não comenta

Procurada pela reportagem, a Fiems não respondeu aos pedidos de posicionamento e também não se manifestou sobre as notas de repúdio. O advogado Luiz Renê Gonçalves do Amaral, que representa a federação nas interpelações, disse apenas que não comenta processos judiciais em curso.

Mascote Capy
🧉 Papo de Capivara

A mistura mais improvável: Sertanejo e Dança Japonesa

O sucesso do sobá é tão grande que Campo Grande criou um festival anual na Feira Central. É o único evento no mundo onde podes comer um prato de origem asiática a ouvir música sertaneja enquanto assistes a danças folclóricas de Okinawa.

Anuncie no Meu MS News! 🧉

Divulgue sua empresa para todo o Mato Grosso do Sul. Contatos: [email protected]