TJMS autoriza soltura de servidoras presas por corrupção em Água Clara
O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) autorizou a soltura de duas servidoras municipais de Água Clara presas por suspeita de corrupção. A decisão da 3ª Câmara Criminal atendeu às defesas de Ana Carla Benette e Jânia Alfaro Socorro.
Elas foram alvo, pela segunda vez, de operação contra desvios na educação. A defesa sustentou que a denúncia envolve recursos federais e que o caso não deveria tramitar na esfera estadual. Também lembrou que as servidoras estavam em liberdade e não atrapalharam a investigação.
O desembargador Fernando Paes de Campos, da 3ª Câmara Criminal, entendeu que não havia fatos novos para manter as prisões. “A continuidade de condutas atribuídas a outros investigados, por si só, não autoriza a automática extensão do risco cautelar à paciente, sobretudo quando esta permaneceu em liberdade por período considerável, submetida a medidas alternativas, sem notícia concreta de descumprimento”, escreveu o magistrado.
As duas permanecem afastadas das funções públicas por medida cautelar. Antes delas, a Justiça concedeu prisão domiciliar à ex-secretária municipal de Educação de Água Clara, Adriana Rosimeire Pastori Fini.
Em nota, os advogados Lucas Arguelho, Matheus Melgar e Maria Alfaro, que representam Jânia, avaliaram a decisão positivamente. A defesa afirmou que a servidora continua à disposição das autoridades e esclarecerá os fatos em juízo.
Operação Barattieri mirou propina na compra de merenda
Em 14 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), deflagrou a Operação Barattieri. A ação apura o desvio de recursos públicos na compra de itens da merenda escolar em Água Clara.
A operação cumpriu:
- Mandados de prisão preventiva: 4
- Mandados de busca e apreensão: 7
- Local: Água Clara
- Alvos: a ex-secretária Adriana Rosimeire Pastori Fini, as servidoras Ana Carla Benette e Jânia Alfaro Socorro e o empresário Humberto de Lima Marques
A investigação é um desdobramento da Operação Malebolge, realizada em fevereiro de 2025. As servidoras atuavam em conluio com um empresário para desviar recursos destinados à aquisição de gêneros alimentícios.
Elas pediam vantagens indevidas e, para viabilizar os pagamentos, aumentavam as ordens de compra da prefeitura. Apenas parte dos produtos adquiridos chegava a ser entregue.
A operação teve apoio operacional da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). “Barattieri” é uma referência à Divina Comédia, de Dante Alighieri: no Inferno, os barattieri negociam o exercício de funções públicas em troca de vantagens indevidas.
Malebolge investigou fraudes em licitações
Em 18 de fevereiro de 2025, o MPMS e o Gaeco, com apoio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), realizaram a Operação Malebolge. A apuração identificou uma organização criminosa especializada em fraude a licitações em Água Clara e Rochedo.
A ação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. Um empresário cooptava servidores públicos, com apoio de outros empresários, para direcionar licitações em benefício das empresas.
Os contratos suspeitos ultrapassam R$ 10 milhões. O esquema envolvia o pagamento de propina a agentes públicos. Eles atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços e aceleravam os trâmites para o pagamento de notas fiscais.
A ação ocorreu após o compartilhamento de provas entre o Gecoc e o Gaeco. A PMMS apoiou a operação com o Batalhão de Polícia de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope). “Malebolge” é a região do Inferno, descrita por Dante Alighieri, onde fraudadores e corruptos são punidos.
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