Advogados se unem em apoio a colega preso por suspeita de vazamento
Advogados criminalistas fazem ato na manhã desta quarta-feira (30) no Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande, em apoio ao colega Amilton Ferreira, preso na terça (29) por suspeita de vazar informações do Gaeco. A manifestação ocorre durante a audiência de custódia do advogado, alvo de mandado de prisão temporária de 30 dias.
Apoio da classe ao advogado
De acordo com a advogada Damares Machado, que integra a defesa, a mobilização é uma resposta ao que a classe considera “criminalização da advocacia”. “Existe uma parcela de advogados criminalistas se movimentando em prol da defesa do doutor Amilton, porque nós enxergamos e entendemos essa prisão da maneira que foi um risco muito grande à classe de advogados criminalistas, porque a gente entende que é a própria criminalização da advocacia”, afirmou.
Damares disse ainda que a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) deve participar do ato. Na terça-feira, a defesa protocolou pedido de apoio institucional na entidade. Em nota, a OAB-MS afirmou que irá adotar as medidas cabíveis e instaurar procedimento disciplinar.
Operação Infiltrados investiga desvio de drogas
Amilton representava a defesa do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). Hoffman se apresentou na quinta-feira (24) acompanhado de Amilton, que foi preso durante a Operação Obstructio, desdobramento da Operação Infiltrados.
Conforme o Gaeco, o esquema investiga o desvio de cocaína apreendida por agentes de segurança. Parte do entorpecente era omitida dos registros oficiais ou retirada diretamente dos depósitos policiais e repassada a traficantes, como Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, que usava uma construtora para legalizar os valores recebidos. As evidências indicam que, entre 2021 e 2026, um grupo de policiais civis se valia da função pública para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal. A investigação teve início em outubro de 2025.
Defesa nega vazamento
A defesa de Amilton afirma que não há provas do suposto vazamento. “Tivemos acesso aos autos ontem à tarde e, como havíamos previsto, não há provas concretas que fundamentem a prisão, não há prova nenhuma do suposto vazamento de informações”, disse Damares. Já o MPE-MS (Ministério Público Estadual) sustenta que há “evidências materializadas” de que o advogado comunicou a ação policial, embaraçando a investigação.
Mandados cumpridos
A Operação Infiltrados cumpriu ao todo:
- 24 mandados de prisão preventiva;
- 2 mandados de prisão temporária;
- 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
Muita terra, pouca gente
Apesar de ser enorme, o MS tem imensos "vazios populacionais". Dos seus 79 municípios, apenas 23 conseguem ultrapassar a marca dos 20 mil habitantes. A maior parte do território é dominada por grandes propriedades rurais.
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