Prisão domiciliar para empresária suspeita de fraude de R$ 27 mi em MS
A empresária Rossana Jafar, investigada por participar de um esquema de fraude milionária que desviou R$ 27 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul, deixou a prisão e passará a cumprir prisão domiciliar. A decisão foi expedida nesta quarta-feira (30) pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande.
Justiça atende pedido da defesa após quadro de saúde
Presa desde julho, Rossana teve o pedido de progressão para o regime domiciliar aceito após a defesa comprovar que a prisão agravou seu quadro de saúde. A empresária tem epilepsia e teria sofrido duas crises convulsivas dentro da unidade prisional.
O advogado Pedro Paulo Sperb afirmou que laudos médicos realizados no presídio atestaram a necessidade de tratamento adequado. Na decisão, a juíza destacou que a prisão domiciliar não representa impunidade, mas garante a integridade física da investigada.
Operação Gutenberg investiga esquema em prefeituras e órgãos estaduais
Em julho de 2026, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Gutenberg. O alvo foi uma organização criminosa que atuava contra a administração pública, com crimes de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e outros delitos.
Na ocasião, foram cumpridos:
- 16 mandados de prisão preventiva
- 43 mandados de busca e apreensão
As ordens judiciais foram executadas em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Esquema usava editora para fraudar contratos públicos
Segundo o Gaeco, o grupo usava a Editora Avante, controlada pela família Jafar, para firmar contratos superfaturados com prefeituras e órgãos estaduais. A editora, com capital social de R$ 40 mil, teria recebido R$ 1 milhão da Prefeitura de Miranda mesmo sendo recém-criada.
A investigação apontou que o esquema corrompia servidores da saúde pública para trocar autorização de exames, cirurgias e vagas em leitos hospitalares pela compra de livros da editora.
Denunciados viram réus na Justiça
Após a operação, o Gaeco denunciou 17 investigados. Entre eles estão:
- Rossana Paroschi Jafar, empresária
- Olívia Paroschi Jafar, médica e empresária
- Felipe Paroschi Jafar, ex-servidor comissionado da Agesul
- Giovanni Paroschi Jafar, empresário
- Rhayane Souza Fanaia, apontada como laranja do grupo
- Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador do Complexo Regulador Estadual
- Jéssyca Duarte Burgatt, filha de Ed e empresária
- Joatan Gomes Peixoto, empresário
- Matheus Oliveira Peixoto, empresário
- Francisco Anízio dos Santos, empresário
- Douglas Henrique de Melo, empresário
- Paulo Rogério de Melo, empresário e pai de Douglas
- Gabriel Taquino de Paula, advogado
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul
- Heyder Bartz, empresário
Em agosto, a Justiça aceitou a denúncia. O caso foi suspenso após a defesa de Giovanni Jafar questionar a juíza responsável. Cabe ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) decidir sobre a continuidade da ação.
Muita terra, pouca gente
Apesar de ser enorme, o MS tem imensos "vazios populacionais". Dos seus 79 municípios, apenas 23 conseguem ultrapassar a marca dos 20 mil habitantes. A maior parte do território é dominada por grandes propriedades rurais.
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