Gramado da Vila Belmiro venceu e Neymar expõe crise financeira
O gramado da Vila Belmiro, alvo de críticas públicas de Neymar e de outros jogadores do Santos, está oficialmente fora do prazo de validade. Instalado pela última vez em março de 2012, o piso natural da Vila já deveria ter sido trocado em 2018, segundo alerta da própria empresa responsável pela manutenção. Mais do que um problema técnico, o atraso expõe a profunda crise financeira que impede o clube de bancar a reforma.
Gramado venceu em 2018 e manutenção falhou
De acordo com especialistas, um campo natural de futebol de alto nível suporta até dez anos. Após esse período, a formação de matéria orgânica no solo compromete a drenagem. A empresa World Sports, que presta serviços ao Santos, alertou as gestões do clube em diversas oportunidades, mas as trocas de comando e as prioridades financeiras deixaram a questão de lado.
Drenagem antiga e ações paliativas
Para atenuar os problemas, o clube realiza procedimentos como aeração e descompactação do solo. Essa última técnica foi citada por Neymar como possível causadora das lesões sofridas pelos jogadores na partida contra o Palmeiras. O sistema de drenagem a vácuo da Vila Belmiro é antigo, embora tenha recebido upgrades. O especialista André Amaral, da SIS Pitches, afirma que as estruturas modernas com iluminação e aquecimento suplementar fazem toda a diferença que hoje falta no estádio.
Troca travada por R$ 11,4 milhões
Em reunião no mês passado, a diretoria decidiu substituir o gramado por um modelo híbrido, com 95% de grama natural e fibras artificiais, similar ao da Neo Química Arena. O orçamento é de R$ 11,4 milhões, valor que o clube não possui em caixa. A expectativa é de que a reforma seja custeada por um FIDC de até R$ 100 milhões para a modernização do estádio.
Dívida de R$ 1,2 bilhão e folha salarial inchada
O caixa do Santos FC está no vermelho. O clube acumula uma série de encargos que tornam inviável o investimento imediato na estrutura:
- Déficit explosivo: O passivo total do clube chega a R$ 1,2 bilhão. O déficit contábil do segundo trimestre foi 62% maior do que o orçado, somando R$ 119,6 milhões.
- Folha de R$ 30 milhões: Com as contratações de Philippe Coutinho e Everton Cebolinha, a folha salarial é inflada. Cebolinha recebe R$ 1,2 milhão mensais em salários, além de R$ 5 milhões diluídos em luvas.
- Impostos e direitos atrasados: O clube deve duas parcelas de direitos de imagem aos jogadores (mais de R$ 15 milhões por mês) e está com o FGTS atrasado há dois meses.
- Fornecedores sem receber: A própria World Sports, que alertava sobre o gramado, estava há cinco meses sem receber pelos serviços prestados.
Neymar socorre o clube indiretamente
Para voltar a contratar e derrubar o transfer ban da Fifa, a diretoria recorreu à NR Sports, empresa da família de Neymar. A empresa quitou a dívida de R$ 12 milhões do Santos com o Monaco pela contratação de Jean Lucas. O principal algoz da situação do gramado acaba sendo, através da família, um esteio financeiro da agremiação em meio ao caos fiscal.
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