OAB-MS pede soltura de advogado suspeito de vazar dados do Gaeco
A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) protocolou pedido de relaxamento da prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida, detido sob suspeita de vazar informações sobre a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco em 24 de outubro. A confirmação foi dada nesta quinta-feira (1º) ao Midiamax.
O pedido foi apresentado na quarta-feira (30), após audiência de custódia que manteve a prisão do advogado. “No exercício de suas atribuições institucionais, a OAB-MS acompanhou a audiência e apresentou ao Judiciário pedido de relaxamento da prisão, submetendo à apreciação os fundamentos jurídicos pertinentes”, informou a entidade.
Defesa critica prisão e nega vazamento
A advogada Damares Machado, que defende o investigado, afirmou que a prisão “foi um choque” para a classe criminalista. “Para toda a classe foi um choque, imagina para ele. A prisão dele representa um risco a todos os advogados criminalistas, haja vista que entendemos que o suposto fato não constitui crime”, destacou.
Amilton nega ter vazado informações. “Ele nega isso, até porque ele não teve essas informações, ninguém avisou ele sobre nada. Suspeitaram que ele tivesse alertado o cliente, mas ele não fez isso”, reforçou a defesa.
Operação Obstructio e o contexto da investigação
O advogado foi preso na terça-feira (29), durante a Operação Obstructio, que apura vazamento de informações sigilosas durante a Operação Infiltrados. Amilton representava o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, preso em 24 de outubro, apontado como chefe de esquema de desvio de drogas da Denar.
Conforme o MPMS, além da prisão temporária, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. “Há evidências materializadas de que ocorreu a comunicação criminosa da ação policial, o que embaraçou diretamente a investigação sobre a organização criminosa”, diz o órgão.
Esquema de desvio de drogas
A Operação Infiltrados investiga desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína, por agentes de segurança. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes era omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e repassada a traficantes.
- Período investigado: entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul.
- Modus operandi: policiais civis desviavam drogas, omitindo parte dos registros ou subtraindo diretamente do depósito da delegacia.
- Destino da droga: repassada ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’, que usava construtora para legalizar recebimentos.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
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