Acusado de matar jovem com tiro no pescoço nega crime: ‘soube pela internet’
No banco dos réus da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Matheus Henrique de Oliveira Domingos negou a autoria da morte de Kamylla Scarllet Fernandes Cristaldo, assassinada com um tiro no pescoço em setembro de 2024, no Jardim Colúmbia, em Campo Grande. A vítima esperava um motociclista de aplicativo quando foi ferida, e morreu três meses depois, em dezembro. Matheus ficou um ano foragido e foi localizado em outubro de 2025, no Jardim das Cerejeiras, também em Campo Grande.
Vítima revelou autoria e motivação no hospital
Ainda no hospital, Kamylla contou quem era o autor e qual a motivação do crime. Segundo ela, Matheus, namorado de uma mulher com quem dividia casa, teria feito os disparos por ciúmes da amizade entre as duas. Durante o julgamento na manhã desta sexta-feira (2), o réu negou as acusações. Ele afirmou que a vítima morou em sua casa por dois meses e que pediu que ela saísse por questões de segurança.
“Pedi para ela sair porque pessoas estavam indo à porta de casa atrás dela devido a um problema, mas não sei qual era. Não achei mais seguro morar lá e ia tirar do meu nome a casa [aluguel], e foi a única discussão que tive com ela”, disse Matheus. Segundo ele, Kamylla teria dito que estava com problemas familiares e não tinha onde ficar.
Réu alega que soube do crime pela internet
Matheus disse que só soube do que aconteceu em dezembro, quando viu sua foto circulando na internet. “Como não tenho condições de contratar um advogado, fiquei foragido. Eu estava em uma casa abandonada e sem condições. Minha família é de São Paulo e eu morava aqui há três anos. Eu acho que eu estava em Presidente Prudente, mas não tenho certeza”, alegou.
Defesa alega ameaças e falta de advogado
O réu afirmou que esperou o tempo passar por não ter dinheiro para pagar advogado. “Vi que uma pessoa tinha sido presa e foi solta no mesmo dia, um cara que tinha batido nela. Fiquei esperando a polícia prender a pessoa certa. Foi quando deu um ano e já vi a condição de voltar para cá para responder na Justiça e achar um advogado, para esclarecer”, disse. Por fim, alegou estar sendo ameaçado pela família da vítima.
“Se eu viesse para cá, a polícia estaria atrás de mim — não só para prender, mas para matar. A família da vítima me ameaçava e foi um dos motivos, fora o advogado, que cobra muito caro. Por isso, fiquei foragido depois que soube do que ocorreu. Queria saber por que meu nome está envolvido. Estou há um ano no sistema, sofrendo por um crime que não cometi”, declarou.
Pai da vítima relembra últimos momentos
Ao Jornal Midiamax, o pai da vítima, Flávio Cristaldo de Jesus, se emocionou ao recordar a filha. “Criei-a desde pequenininha. Vi ela nascer, eu estava lá. Eu criei, embalei cólicas, noites sem dormir. Dei de mamar, comprei fralda. Eu era office boy na época. Pedalava essa cidade para comprar as coisas para minha filha, e ele a tirou de mim”, desabafou. Flávio ficou com a imagem do último suspiro de Kamylla.
“Os últimos três meses de vida da minha filha foram comigo. Eu fiquei com a imagem do último suspiro dela. Segurando minha mão e falando: ‘Pai, não me deixa. Não deixe! Eu não quero ir!’”, contou o pai.
Relembre o crime
Kamylla estava com mudança marcada para 2 de setembro de 2024. Ela aguardava uma motociclista de aplicativo na Rua Nhamunda quando o autor surgiu e efetuou os disparos. Moradores ouviram barulhos fortes e encontraram a vítima do outro lado da rua, após tentar correr. Testemunhas viram um homem de short correndo e duas pessoas suspeitas. Um menino de 9 anos viu o sangue jorrando do pescoço dela e ficou traumatizado.
A família suspeitou de um casal com quem Kamylla havia se desentendido, mas a investigação descartou essa hipótese, assim como a de assalto. No hospital, a vítima recobrou a consciência e apontou Matheus como autor, por ciúmes. Ela ficou tetraplégica e morreu em 19 de dezembro de 2024.
O monstro universitário
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