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Policial

Paraplégico denuncia agressão de PMs na Avenida Afonso Pena

Jovem de 28 anos afirma ter sido agredido, jogado ao chão e borrifado com spray de pimenta por policiais militares na região central de Campo Grande.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 03/10/2026 - 17:07 | Meu MS News
Paraplégico denuncia agressão de PMs na Avenida Afonso Pena
Cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Padre João Crippa. (Foto: Divulgação/PMCG)

Um homem paraplégico de 28 anos denunciou ter sido vítima de agressão durante uma abordagem da Polícia Militar (PM) no dia 20 de setembro, na Avenida Afonso Pena, próximo à Praça Ary Coelho. O caso foi registrado na Depac Cepol e, segundo a vítima, houve truculência e abuso de força por parte dos militares.

Relato do condutor

O rapaz, que preferiu não se identificar, contou que seguia de carro com a namorada quando se envolveu em um acidente de trânsito. O outro motorista acionou a PM, mas deixou o local. Ao chegarem, os policiais já teriam adotado um tom agressivo.

“Já veio falando alto comigo para eu descer do carro. Pediram documento, eu entreguei e informei que era cadeirante. De começo não acreditaram; pedi para minha namorada pegar a cadeira de rodas no porta-malas”, relatou.

Segundo ele, ao recusar o teste do bafômetro, os militares se alteraram. “Liguei para meu advogado e estava com ele na linha. Veio um por trás e me deu um tapa; meu celular caiu. Tentaram arrancar o celular, me algemaram com violência, usaram spray de pimenta, me derrubaram da cadeira, me arrastaram e me jogaram na viatura”, afirmou.

Necessidade médica ignorada

Por ser paraplégico, o homem depende de sonda para necessidades fisiológicas. Ele alega que pediu para ir ao banheiro, mas os policiais não permitiram. “Comecei a passar muito mal, minha namorada falou, e eles tiraram sarro. Só deixaram quando eu comecei a gritar de dor. Nem ligaram para o socorro; foi o Corpo de Bombeiros que me levou à UPA do Coronel Antonino”, disse.

Após atendimento médico, ele voltou à delegacia, foi levado ao Fórum e o juiz o liberou, informando que encaminharia o caso à Corregedoria da PM. O rapaz então procurou o IMOL para exame de corpo de delito.

Versão da polícia no boletim de ocorrência

O registro policial apresenta uma narrativa diferente. Nele, consta que a guarnição foi acionada por populares que relataram que o veículo Fiat/Punto colidiu com outros carros e trafegava em zigue-zague pela avenida.

Segundo o BO, o condutor apresentava sinais de embriaguez e confirmou ter consumido bebida alcoólica. Durante a abordagem, ele teria desacatado os policiais com frases como: “Tira a farda e vem para a porrada” e “Pode vir seus soldados de merda”.

O documento ainda afirma que o rapaz se recusou a entregar o celular e desafiou os militares para uma briga. Diante da desobediência e resistência, foi necessário o uso de instrumento de menor potencial ofensivo. No veículo foram encontradas uma garrafa de uísque e duas de cerveja — não informado se estavam cheias ou vazias.

Posicionamento da Polícia Militar

A PMMS informou, por nota, que “a atuação de suas equipes segue rigorosamente procedimentos operacionais padronizados e a legislação vigente” e que o uso da força é “estritamente proporcional, técnico e escalonado conforme a dinâmica de cada ocorrência”.

A corporação orienta que denúncias sobre condutas policiais sejam formalizadas na Corregedoria-Geral da PMMS, canal competente para apuração.

Pontos de divergência

  • Vítima: alega agressão gratuita, spray de pimenta, arrastamento e impedimento de ir ao banheiro.
  • Polícia: relata embriaguez, desacato, resistência e necessidade de uso progressivo da força.
  • Evidências: garrafas de bebida encontradas no carro; exame de corpo de delito realizado no IMOL.
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