Advogado suspeito de vazar informações sobre operação é ouvido pelo Gaeco
O advogado Amilton Ferreira de Almeida, preso na última terça-feira (29) durante a Operação Obstructio, presta depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta segunda-feira (5). Ele é suspeito de ter adiantado informações sigilosas sobre a Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, que também será ouvido.
Amilton passou por audiência de custódia no dia 30 e teve a prisão mantida. Atualmente, ele está no Presídio Militar. A Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) já solicitou o relaxamento da prisão, mas ainda não há decisão.
Operação Infiltrados
A investigação do Gaeco apura um esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais civis, principalmente cocaína. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os agentes omitiam parte dos entorpecentes dos registros oficiais ou os retiravam diretamente dos depósitos da delegacia. A droga era então repassada ao traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como ‘LK’, que usava uma construtora para lavar o dinheiro.
Durante a operação, foram cumpridos:
- 24 mandados de prisão preventiva
- 2 mandados de prisão temporária
- 38 mandados de busca e apreensão
As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados e Terenos. O delegado Hoffman D’Ávila, apontado como chefe do esquema, se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil horas após a operação e foi afastado compulsoriamente.
Defesa e próximos passos
A OAB-MS acompanha o caso e pode enviar representantes da comissão de prerrogativas para a oitiva desta segunda-feira. A reportagem tentou contato com a entidade, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O advogado Amilton nega as acusações. A defesa alega que ele apenas exercia sua função profissional ao representar o delegado. A investigação segue em sigilo.
O pacto dos fazendeiros
A famosa lenda do "Cramulhão da Garrafa" diz que grandes fazendeiros enriqueceram a fazer pactos demoníacos. Na verdade, psicólogos e historiadores explicam que este mito urbano nasceu da tensão social perante o enriquecimento rápido e desigual do agronegócio na região.
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