Suspeito pediu silêncio a funcionária antes de matar jovem em boate de MS
Horas antes de Ray Felipe Leite Feliciano, de 18 anos, ser morto a facadas dentro de uma boate em Maracaju, na quinta-feira (1º), um dos suspeitos do homicídio, Gabriel de Souza Ribeiro, teria chamado uma funcionária do local e pedido que ela não mencionasse a presença dele e do irmão, Rafael, na frente da vítima. Ray foi morto após permanecer horas na boate. Ele chegou por volta das 2h e foi atacado às 8h30. Gabriel e Rafael são apontados como autores do crime. Gabriel foi preso no dia seguinte, mas Rafael segue foragido.
Desconfiança antes do crime
Uma funcionária da boate afirmou que Gabriel já estava no local quando Ray chegou. Em determinado momento, os irmãos chamaram a mulher e fizeram um alerta: “Fica velhaca” e “não fala nada disso de nós, não”, pedindo que ela tomasse cuidado com Ray. Durante a madrugada, Ray teria feito uma ligação mencionando um “irmão” e um “padrinho” que pagariam sua passagem para deixar Maracaju. Antes do ataque, uma testemunha teria recebido uma mensagem de Rafael afirmando que a vítima seria de uma facção rival e “tinha que morrer”. A testemunha disse ter apagado a mensagem por medo.
Investigação aponta possível motivação de facção
Outros depoimentos à Polícia Civil reforçam que os envolvidos desconfiavam que a vítima teria ido até a cidade para matar um dos irmãos, a mando do PCC. Segundo testemunhas, Ray teria passado a observar a casa onde os irmãos moravam. A possível ligação com disputa entre facções é investigada, mas ainda não há confirmação definitiva.
Ataque e pedido de silêncio
Antes do crime, Rafael teria perguntado à vítima qual era seu “vulgo”. Ray respondeu “Rabisco”. Em seguida, conforme uma testemunha, os irmãos avançaram contra a vítima utilizando uma faca e um facão. Logo após o crime, uma das irmãs dos suspeitos perguntou à dona da boate, também irmã de Gabriel e Rafael, se os dois tinham cometido o homicídio, e a mulher teria confirmado. A mãe dos suspeitos também teria confirmado a participação dos filhos no crime e pedido que não contassem a ninguém. Gabriel foi preso no dia seguinte e permaneceu em silêncio durante o interrogatório.
Pichações com ameaças
Pichações com possíveis ameaças foram encontradas próximas à residência da família, segundo a mãe dos suspeitos. À polícia, ela disse ter visto escritos como “vou te matar” e referências ao “PCC” e “15, 33”. A mulher disse desconhecer a autoria das pichações e se os filhos estavam sofrendo ameaças.
Relembre o caso
Ray Felipe Leite Feliciano, de 18 anos, morreu na quinta-feira (1º) ao ser esfaqueado em uma boate, na região do Antigo Paraíso, em Maracaju, a 160 km de Campo Grande. A vítima havia saído do sistema prisional em agosto. Conforme informações preliminares, os fatos aconteceram por volta das 8h30. Uma das versões é a de que Gabriel, que teria deixado o local momentos antes, retornou acompanhado do irmão, Rafael. Ray foi atingido pelos golpes de faca. Uma testemunha relatou que foi ao banheiro e ouviu pedidos de socorro e objetos sendo quebrados. Ao retornar, encontrou a vítima caída no corredor. Ray, que era de Sonora, morreu ainda no local. Ele havia saído do presídio no dia 21 de agosto e possuía cerca de 15 passagens pela polícia, entre elas tráfico de drogas, desacato, furto e ameaça. Equipes da PM estiveram no local, e o óbito foi constatado pelo Corpo de Bombeiros.
O pacto dos fazendeiros
A famosa lenda do "Cramulhão da Garrafa" diz que grandes fazendeiros enriqueceram a fazer pactos demoníacos. Na verdade, psicólogos e historiadores explicam que este mito urbano nasceu da tensão social perante o enriquecimento rápido e desigual do agronegócio na região.
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