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Política

Big techs burlam regras eleitorais com anúncios irregulares no 1º turno

Estudo do NetLab/UFRJ flagra 568 anúncios políticos na Meta, Kwai e Google, além de recomendações de candidatos no TikTok e YouTube durante o domingo de votação.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 06/10/2026 - 13:46 | Meu MS News
Big techs burlam regras eleitorais com anúncios irregulares no 1º turno
Redes sociais - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

As principais plataformas digitais continuaram veiculando anúncios político-eleitorais e recomendando conteúdos de candidatos no último domingo (4), dia do primeiro turno das eleições de 2026, segundo levantamento do Observatório das Big Techs, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo identificou anúncios irregulares na Meta, no Kwai e no Google, além da recomendação de vídeos de candidatos pelos sistemas do TikTok e do YouTube.

As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição.

Anúncios irregulares na Meta, Kwai e Google

Na Meta, que reúne Instagram e Facebook, foram encontrados 568 anúncios considerados irregulares durante o período analisado. O levantamento também identificou seis anúncios que simulavam comunicações oficiais do TSE e apresentavam uma falsa possibilidade de votação remota pelo celular ou de casa. Segundo o estudo, algumas peças usavam situações como problemas de saúde, dificuldades de locomoção e fortes chuvas para convencer usuários a acessar o suposto serviço. Em alguns casos, os anúncios direcionavam para páginas que solicitavam o CPF para iniciar uma falsa votação.

No Kwai, foram identificados 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e outros quatro classificados como pausados. Três desses quatro anúncios teriam circulado durante o período de resguardo eleitoral, entre os dias 1º e 3 de outubro. O NetLab também encontrou 45 anúncios cuja data final de circulação teria sido estendida para o dia da votação, relacionados a dez páginas de candidaturas. O laboratório, porém, destacou que não foi possível confirmar integralmente essas ocorrências devido a divergências entre os dados do Kwai e as informações na biblioteca de anúncios.

No Google, foi identificado um anúncio que já havia sido localizado no dia 3 de outubro e que permanecia ativo irregularmente na infraestrutura de publicidade da empresa.

Recomendação de vídeos de candidatos

O levantamento também analisou os sistemas de recomendação do TikTok, YouTube e Instagram para verificar se conteúdos publicados por contas oficiais de candidatos continuavam sendo sugeridos aos usuários. Entre os dias 3 e 4 de outubro, foram encontrados 18 vídeos de sete candidatos recomendados pelo TikTok e 17 vídeos de seis candidatos recomendados pelo YouTube. No Instagram, não foram identificadas recomendações de vídeos publicados por candidatos.

Problemas de transparência apontados pelo estudo

O NetLab apontou ainda problemas de transparência que dificultam a fiscalização e a responsabilização das plataformas. Na Meta, foram encontradas divergências entre os dados exibidos na Biblioteca de Anúncios e aqueles obtidos por meio da ferramenta de programação da empresa. Alguns anúncios apareciam como inativos em uma interface, mas simultaneamente constavam em listagens de anúncios ativos. Situação semelhante foi observada no Kwai. Já Google, LinkedIn e TikTok foram apontados pelo estudo como plataformas que oferecem informações limitadas para o acompanhamento sistemático da propaganda eleitoral.

Respostas das plataformas

As empresas citadas foram procuradas pela Agência Brasil. A Meta afirmou atuar em conformidade com a legislação eleitoral e disse que a amostragem do relatório não representa a dimensão de seu trabalho de integridade. O Kwai afirmou que mantém operação especial durante o período eleitoral, com equipes dedicadas à moderação e ao atendimento das determinações da Justiça Eleitoral. O TikTok informou que trabalha em parceria com o TSE e disse ter removido, entre junho e setembro de 2026, 348.963 vídeos no Brasil por violações relacionadas à integridade cívica e eleitoral, desinformação e conteúdos enganosos produzidos com inteligência artificial. O Google afirmou que suas políticas proíbem anúncios políticos no Brasil desde 2024 e declarou que atua diante de eventuais violações, destacando que apenas um anúncio foi identificado no estudo.

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