Santa Casa tem rombo de R$ 792 mi e custos da diretoria sobem 155%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) atendeu ao pedido do Estado e manteve suspenso o repasse de R$ 126 milhões para a Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Os desembargadores barraram ordem judicial que obrigava o Governo a pagar o valor imediatamente, sob pena de bloqueio das contas públicas. Com isso, o hospital terá que aguardar o fim do processo para tentar receber os recursos.
TJMS suspende repasse e aponta crise de gestão
A ação judicial pedia reajuste no convênio mensal de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões, com pagamento retroativo de R$ 126 milhões. Para derrubar a ordem, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS) apresentou auditoria financeira que comprovou aumento dos repasses públicos. O dinheiro do SUS enviado ao hospital subiu de R$ 344,6 milhões em 2022 para R$ 438,7 milhões em 2025.
Auditoria revela rombo de R$ 792 milhões e disparada de custos
A auditoria mostrou que o passivo total do hospital disparou 42%, saltando de R$ 555,7 milhões em 2023 para R$ 792,6 milhões em 2025. Isso significa que a dívida é 4,6 vezes maior que o patrimônio, avaliado em R$ 170,2 milhões. Os custos com escritório, diretoria e taxas sem ligação direta com pacientes subiram 155%, atingindo R$ 198,1 milhões — o equivalente a 37% de toda a arrecadação do hospital.
- Passivo total: R$ 792,6 milhões em 2025
- Custos administrativos: alta de 155%, para R$ 198,1 milhões
- Repasses do SUS: crescimento de R$ 344,6 mi (2022) para R$ 438,7 mi (2025)
Segundo o governo estadual, a crise não decorre de falta de repasse, mas de descontrole interno de despesas e má gestão.
Operação Antidotum prende presidente e diretores
Em setembro, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gecoc e Gaeco, realizou a Operação Antidotum contra suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia. Os alvos incluíram o presidente Alir Terra Lima, o diretor-adjunto de finanças Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, o ex-diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano, o ex-diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira, a coordenadora Monique Gregório de Oliveira e o empresário Maurício Aparecido Benites.
As investigações apontaram fraudes em contrato de digitalização de prontuários, com pagamentos elevados sem prestação de serviços. Também foram constatadas irregularidades em contratos da operadora Santa Casa Saúde com empresas do mesmo grupo, registradas em endereço desocupado.
Justiça afasta diretoria e nomeia gestor provisório
Com a prisão de Alir Terra, a Santa Casa definiu nova diretoria, mas a indicação de Heitor Rodrigues Freire para a presidência durou menos de 24 horas. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan afastou os membros da Diretoria Corporativa e do Conselho de Administração e nomeou o cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura como gestor provisório por 180 dias, prorrogável. O magistrado considerou os riscos de manter os mesmos dirigentes, especialmente após nota de solidariedade aos presos, e o perigo de colapso do atendimento hospitalar.
A potência da rádio no MS
Num mundo dominado pelo streaming, a rádio ainda é rainha no estado. Existem aplicações locais que reúnem mais de 200 estações AM, FM e web rádio, mostrando que a comunicação regional continua a ter uma força massiva fora dos grandes ecrãs.
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