Polícia Civil de MS demite investigador por corrupção e falsidade ideológica
A Sejusp-MS (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) demitiu o investigador Gregório Cosme Navarros de Souza, que atuava em Corumbá. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (7) e ocorre após dois processos administrativos apontarem falsidade ideológica e corrupção passiva.
Falsidade ideológica: investigador mentiu sobre residência
O primeiro processo, de 2020, aponta que Gregório teria solicitado ajuda de custo após ser removido da Primeira Delegacia de Corumbá para a Delegacia de Miranda. Para justificar o benefício, ele teria firmado documento informando residir em Miranda com uma mulher. No entanto, segundo os autos, ele não se mudou efetivamente para o município, tendo trabalhado apenas dois plantões na nova delegacia. Com isso, a Sejusp abriu processo por falsidade ideológica.
Corrupção passiva: cobrança de propina para não prender
Outro processo, de janeiro de 2024, envolve um caso de violência doméstica. O investigador atendeu uma ocorrência em que uma mulher foi espancada pelo marido e constatou lesões corporais, o que resultaria em prisão em flagrante. Segundo os autos, Gregório teria dito ao agressor que pagasse R$ 2,5 mil para não ser preso. O homem pagou, mas no dia seguinte o investigador enviou mensagens pelo WhatsApp pedindo mais R$ 2 mil. As conversas foram anexadas como prova.
Outros casos de corrupção envolvem o investigador
- Água paga: Gregório cobrou R$ 400 de um comerciante detido na delegacia para fornecer água. A vítima só tinha R$ 200, valor que foi pago ao investigador em troca do serviço.
- Combustível e carne: Em duas ocasiões, o investigador foi ao comércio da mesma vítima e levou combustível e carne sem pagar.
- Aviso de operação: O mesmo homem que escapou da prisão por violência doméstica seria alvo de uma operação policial. Gregório o teria informado para sair de casa no dia da ação e ofereceu a própria residência para escondê-lo.
A demissão foi assinada pelo secretário da Sejusp-MS, Antônio Carlos Videira.
O perigo da Hidrovia
As obras e intervenções para aumentar a navegação de grandes navios de carga no rio Paraguai (a chamada Hidrovia Paraná-Paraguai) ameaçam causar danos irreversíveis ao Pantanal. É o choque direto entre a logística de exportação e a maior área húmida do planeta.
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