Ex-prefeito de MS tem soltura negada na Operação Gutenberg
Justiça nega liberdade a ex-prefeito de Fátima do Sul preso na Operação Gutenberg por recebimento de propina.
Preso há dois meses, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Júnior Vasconcelos, teve o pedido de liberdade negado pela juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Competência Residual da Comarca de Campo Grande. Na decisão, a magistrada citou “ausência de fato novo modificativo”.
A juíza também negou o pedido da defesa para anular todas as decisões do colega da 2ª Vara Criminal, que estava com o caso anteriormente.
Operação Gutenberg revela desvio de R$ 27 milhões
A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho, investiga uma organização criminosa que teria forçado prefeitos de Mato Grosso do Sul a comprar livros da gráfica do Clã Jafar. O esquema desviou mais de R$ 27 milhões das áreas de saúde e educação e envolveu ao menos 14 prefeituras.
As investigações começaram em 2023, quando o Gaeco recebeu um envelope com denúncia de que a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) firmou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda. A empresa era recém-criada, com capital social de R$ 40 mil e sediada em São Bernardo do Campo (SP).
Em ação autorizada pela juíza May Melke, o Gaeco apreendeu mais de R$ 200 mil em espécie.
Empresa de fachada e contratos milionários
O grupo familiar atuava originalmente por meio da Gráfica e Editora Alvorada Ltda., envolvida em fraudes licitatórias e alvo da Operação Lama Asfáltica. Após a morte do patriarca Mirched Jafar Junior, em 2021, a matriarca Rossana Paroschi Jafar e os filhos teriam criado a Editora Avante, empresa de fachada em nome de “laranjas”.
A empresa fechava contratos milionários sem licitação com municípios como Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados, para fornecimento de livros paradidáticos. A própria organização montava e enviava aos municípios os modelos de orçamento e as justificativas para direcionar a contratação direta.
Relembre os réus da Operação Gutenberg
- Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross;
- Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
- Rhayane Souza Fanaia (presa) – “laranja” do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
- Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar) – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos (prisão domiciliar) – empresário;
- Douglas Henrique de Melo (preso) – empresário;
- Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
- Heyder Bartz (foragido) – empresário;
- Inácio da Silva Espíndola (não foi preso) – ex-vereador e ex-servidor comissionado da Casa Civil de MS.
O espaço segue aberto para manifestações. A reportagem aguarda retorno do advogado João Paulo Calves, que representa Eronivaldo.
Um oceano debaixo dos pés
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