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Estado

Plano nacional prioriza inteligência agropecuária nas fronteiras

Governo federal aprova planejamento com criação de núcleos de inteligência para combater trânsito irregular de produtos agropecuários nas fronteiras até 2030.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 09/10/2026 - 11:26 | Meu MS News
Plano nacional prioriza inteligência agropecuária nas fronteiras
Policiais Militares de MS em patrulha rural.(Foto: Sejusp)

O governo federal aprovou um planejamento que prevê a criação de núcleos de inteligência para combater o trânsito e o comércio irregular de produtos agropecuários nas fronteiras. A seleção dos estados prioritários está prevista para o primeiro semestre de 2027, enquanto a proposição dos núcleos estaduais ficou para 2029. Mato Grosso do Sul pode ser alcançado pela medida, mas o documento ainda não define onde as estruturas funcionarão.

Cronograma de implementação dos núcleos

A iniciativa integra o planejamento do PPIF (Programa de Proteção Integrada de Fronteiras) para 2026 a 2030, aprovado por resolução publicada nesta sexta-feira (9) no DOU (Diário Oficial da União). O cronograma começa com o levantamento dos estados prioritários, entre janeiro e junho de 2027, conforme a ocorrência de atividades ilícitas envolvendo produtos agropecuários. As etapas previstas incluem:

  • Janeiro a junho de 2027: Levantamento dos estados prioritários
  • Julho de 2027 a dezembro de 2028: Proposição de núcleos regionais (um por região)
  • Janeiro a agosto de 2029: Proposição de núcleos estaduais (um por unidade da Federação)

Essas datas representam etapas previstas no planejamento. O documento não apresenta endereço, tamanho das equipes ou orçamento específico para instalar um núcleo em Mato Grosso do Sul.

Tecnologia e fiscalização nas rodovias

A estratégia também prevê ampliar o monitoramento do trânsito e do comércio irregular de produtos agropecuários. O desenvolvimento das ferramentas está programado para 2027, com capacitação e implantação piloto em 2028. A expansão nacional deverá ocorrer entre setembro de 2028 e dezembro de 2029. Na fiscalização rodoviária, o plano inclui:

  • Leitura automatizada de placas
  • Cruzamento de informações
  • Seleção de veículos com base em análise de risco

A proposta é direcionar as abordagens aos trechos e situações com maior possibilidade de ocorrência de ilícitos. Nos pontos aduaneiros prioritários, estão previstas a instalação e a modernização de escâneres e outras tecnologias para inspecionar cargas sem abri-las. O documento não especifica quais rodovias, postos ou municípios de Mato Grosso do Sul receberão equipamentos.

Ampliação de projetos de desenvolvimento

Outra frente é ampliar projetos de desenvolvimento em municípios ainda não atendidos. O plano estabelece prioridade para os Arcos Central e Sul – Mato Grosso do Sul integra o Arco Central, junto com Mato Grosso e Rondônia. O diagnóstico reconhece que os projetos existentes se concentram no Arco Norte, deixando outras fronteiras com pouca cobertura. O levantamento dos municípios sem projetos está previsto para o primeiro semestre de 2027. A estruturação e implantação das iniciativas nos Arcos Central e Sul deverão ocorrer entre julho de 2027 e dezembro de 2029.

Para projetos de sociobioeconomia, o documento apresenta estimativa de R$ 30 milhões entre 2026 e 2028, com financiamento do Funad (Fundo Nacional Antidrogas). O valor não é exclusivo para Mato Grosso do Sul.

Modernização de postos de fronteira

O plano reconhece que unidades e postos de fronteira têm deficiências na estrutura física e tecnológica. A previsão é levantar essas necessidades em 2027 e executar as intervenções prioritárias em 2028 e 2029. O custo é classificado como alto, mas não há valor fixo nem fonte de financiamento consolidada.

Segurança e operações integradas

Na área de segurança, estão previstas ampliação da presença terrestre, intensificação das Operações Ágata, patrulhamento de rios fronteiriços e ações contra crimes ambientais apoiadas por imagens de satélite. Há também proposta de força-tarefa para enfrentar tráfico de pessoas e contrabando de migrantes.

Uma das metas nacionais é alcançar, até 2030, 95% das 33 cidades-gêmeas com pelo menos uma operação integrada por ano. Esse indicador mede o alcance territorial das ações, sem representar presença permanente ou redução da criminalidade.

Lições do plano anterior

O novo planejamento foi elaborado após auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou execução de apenas 54% dos planos de ação do ciclo anterior, além de problemas de coordenação, financiamento e transparência. O documento ressalva que o acompanhamento foi interrompido em 2023. Para o novo ciclo, estão previstos acompanhamento periódico e divulgação de resultados. O primeiro relatório público anual, referente a 2026, deverá ser publicado até 31 de julho de 2027.

Embora estabeleça metas e prazos, o planejamento não reserva recursos específicos para Mato Grosso do Sul nem identifica os municípios que receberão as iniciativas. A definição dos locais e a execução das medidas ainda dependerão das etapas de seleção e da disponibilidade de financiamento.

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