Justiça nega habeas corpus a foragido da Operação Gutenberg
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou mais um pedido de habeas corpus ao empresário foragido desde a Operação Gutenberg, deflagrada em julho pelo Gaeco. A defesa alegava que o suspeito não tinha mais vínculo com a empresa investigada, mas os magistrados consideraram que ainda havia risco de atrapalhar as investigações.
Argumentos da defesa rejeitados
A defesa do empresário entrou com recurso após o habeas corpus ser negado em segunda instância. Eles sustentaram que o réu não mantinha mais relação com a empresa alvo da Gutenberg no período da apuração, o que eliminaria o risco de interferência. No entanto, a Justiça apontou a presença de elementos que indicam materialidade e autoria, além da gravidade dos fatos e do sofisticado modus operandi da organização criminosa.
Esquema comandado pelo clã Jafar
A primeira fase da operação revelou que o clã Jafar utilizava o ex-chefe da regulação estadual de saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, para liberar ou travar procedimentos de prefeituras que compravam livros da Editora Avante. O grupo familiar já atuava por meio da Gráfica e Editora Alvorada, envolvida em fraudes licitatórias (Operação Lama Asfáltica). Após a morte do patriarca Mirched Jafar Junior (2021), a matriarca Rossana Paroschi Jafar e os filhos criaram uma nova empresa de fachada: a Editora Avante, em nome de “laranjas”.
Contratos milionários sem licitação
A empresa fechava contratos milionários, sem licitação (por inexigibilidade), com diversos municípios de Mato Grosso do Sul, como Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados, para fornecimento de livros paradidáticos. A própria organização montava e enviava os orçamentos e justificativas para direcionar as contratações. Os valores recebidos eram pulverizados em saques abaixo de R$ 50 mil para burlar órgãos de controle (COE), além de transferências para familiares e empresas parceiras (postos de combustível, distribuidoras de bebidas, empresas de veículos) e agentes públicos cooptados.
Participação de outros empresários
O esquema contava ainda com empresários que recebiam valores na lavagem de dinheiro, como Douglas Henrique de Melo e seu pai Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas em Campo Grande. A lista de réus inclui 15 pessoas, entre presos, em prisão domiciliar e foragidos. Entre eles, estão:
- Rossana Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – dentista e dona de gráfica
- Olívia Paroschi Jafar (tornozeleira eletrônica) – médica
- Felipe, Giovanni e Rhayane (presos) – familiares e “laranja”
- Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde
- Douglas e Paulo Rogério de Melo (presos) – empresários
- Heyder Bartz (foragido) – empresário
Denúncia e canais para informações
A investigação continua e o Gaeco mantém a busca pelo foragido. Quem tiver informações sobre o paradeiro de Heyder Bartz ou sobre o esquema pode contatar o Jornal Midiamax pelo WhatsApp (67) 99207-4330, com sigilo garantido.
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