MP aponta empresária ré na Gutenberg como operadora de propina na Dirty Pix
Investigadores do Gaeco apontam a empresária Jessyca Duarte Burgatt, ré na Operação Gutenberg, como operadora de propina no esquema Dirty Pix (Pix Sujo). O desvio é estimado em mais de R$ 18 milhões do Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia, município a 70 km de Campo Grande.
Suspeita de receber R$ 100 mil e repassar parte
Segundo o Ministério Público, Jessyca recebeu R$ 100 mil da Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos Ltda. (CNPJ 20.820.379/0001-93). Desse total, R$ 50,7 mil teriam sido repassados a dois investigados: Júlio Cesar Alves da Silva, ex-assessor político e um dos operadores do esquema, e Adriele Nogueira Trelha, servidora municipal e diretora administrativa.
Sociedade com sócio da Pharbox
Na época, Jessyca tinha sociedade com Adelto dos Santos Soares, um dos sócios da Pharbox. Os dois também mantinham outros negócios em comum, como a Alpes Comércio de Alimentos Ltda.
Entre julho e agosto deste ano, depois da prisão de Jessyca na Operação Gutenberg, as sociedades em comum foram desfeitas, conforme dados da Receita Federal.
Triangulação financeira apontada pelo Gaeco
As investigações apontam que Jessyca fez sete transferências via Pix para Júlio Cesar entre 14 de setembro de 2022 e 25 de janeiro de 2023. Os repasses somaram R$ 43,8 mil. Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, ela enviou três Pix de R$ 2,3 mil para Adriele.
“Essas operações sugerem uma triangulação financeira entre os investigados, a empresa Pharbox, Jessyca Duarte Burgatt e Júlio César Alves da Silva e Adriele Nogueira Trelha”, afirma trecho do relatório. Para o Gaeco, Jessyca atuou como intermediária financeira da Pharbox, sendo Júlio e Adriele os reais beneficiários.
- Júlio Cesar: recebeu R$ 43,8 mil em sete Pix entre setembro de 2022 e janeiro de 2023.
- Adriele: recebeu três Pix de R$ 2,3 mil entre outubro de 2022 e janeiro de 2023.
- Adelto: repassou R$ 162 mil a Júlio Cesar em transações diretas, segundo o MP.
O Gaeco também destaca que as transferências em valores redondos, com habitualidade e repetição, apontam para operações suspeitas diante da condição econômica dos investigados.
Caminho do Pix e prisões na Operação Dirty Pix
A investigação também mostrou como quase R$ 10 milhões repassados pelo Hospital Municipal de Sidrolândia a duas empresas foram parar nas mãos de políticos, servidores públicos e diretores. Farma Medical e NSR Comércio (Pharbox), ambas com sede em Manaus, serviram de ponte para a distribuição de propina e a lavagem de dinheiro no final de 2022.
Os recursos são provenientes de convênios públicos usados pelo hospital para obras de reforma e compra de suprimentos médicos. O grupo teria criado uma “gordura” para desviar a maior parte desses valores. O dinheiro passava pelas empresas, era pulverizado entre intermediários e chegava aos beneficiários do esquema.
A Operação Dirty Pix resultou na prisão de três pessoas:
- Jacob Breure: presidente do Hospital Municipal Beneficente Elmíria Silvério Barbosa.
- Cristina Rosa Gomes de Carvalho: policial civil.
- Júlio Cesar Alves da Silva: ex-assessor político.
Contexto da Operação Gutenberg
A Justiça tornou réus 17 investigados na Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026. A denúncia do Gaeco aponta que o grupo usou a regulação estadual de saúde como “balcão de negócios” para forçar prefeituras a comprar livros didáticos da Editora Avante, da família Jafar.
Foram pedidas prisões de 16 deles, com 15 mandados cumpridos e um ainda pendente. Jessyca chegou a ser presa e foi liberada após alegar que precisava amamentar o filho pequeno. O pai dela, Ed Carlo Brito Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde, continua preso. Ele é acusado de usar o cargo para pressionar prefeitos e “trancar” procedimentos de saúde de pacientes.
Defesa de Jessyca
O advogado Perceu Jorge, que representa Jessyca, disse que ela ainda não foi citada. “Assim que tomarmos conhecimento formal das acusações, daremos um posicionamento adequado.”
A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Adelto e Júlio Cesar. O espaço segue aberto para manifestação.
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