Justiça mantém prisão de sobrinho que matou idosa em Ribas do Rio Pardo
A Justiça manteve a prisão preventiva de Fábio Santos Fogaça e Rogério Nascimento da Silva, acusados pela morte de Maria José de Oliveira Beserra, em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande. A idosa foi assassinada com golpes de faca em 28 de junho.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o crime foi encomendado por disputa por herança. Fábio, sobrinho da vítima, foi preso oito dias depois e teve a prisão provisória convertida em preventiva.
Justiça cita gravidade e planejamento do crime
Após pedido de liberdade da defesa, negado em agosto, a Justiça revisou a prisão preventiva dos dois acusados. A decisão é da última quinta-feira (15) e foi assinada pelo juiz Francisco Soliman.
O magistrado afirmou que a “gravidade concreta do fato também justifica a manutenção da segregação cautelar”. Para ele, as investigações indicam planejamento e divisão de tarefas, “que extrapola a gravidade inerente ao tipo penal e evidencia maior periculosidade concreta dos agentes”.
Com a prisão mantida, o juiz marcou audiência de instrução e julgamento para 5 de novembro. As testemunhas serão ouvidas e os acusados serão interrogados por videoconferência.
Crime foi encomendado por herança
Conforme a denúncia, a idosa foi morta com 15 golpes de faca. O crime teve unidade de desígnios e divisão de tarefas, por motivo torpe, mediante paga e com recurso que dificultou a defesa.
Fábio, de 45 anos, é sobrinho da vítima. Após a morte da avó paterna dele, Maria José e outra pessoa entraram com ação declaratória de maternidade socioafetiva post mortem. Ele teria ficado inconformado com a possibilidade de redução da herança.
Nas investigações, a Polícia apontou que Fábio pagou um carro de aplicativo para o comparsa, de 36 anos, sair de Campo Grande e ir até Ribas do Rio Pardo. Os dois passaram a tarde bebendo cerveja e conhaque. Depois, o sobrinho ofereceu R$ 5 mil para matar as duas tias.
- Pagamento: R$ 2 mil em espécie no mesmo dia e R$ 3 mil depois.
- Primeira vítima: o comparsa foi até a casa dela, mas não a encontrou.
- Execução: Maria José foi achada dormindo e recebeu 15 golpes de faca.
Os golpes atingiram abdômen, tórax, cervical, ombro, escápula, um seio e o braço direito. A vítima caiu ao lado da cama e morreu no local.
Depois do crime, o comparsa voltou à casa do amigo, recebeu R$ 2 mil e retornou a Campo Grande. Uma semana depois, ele foi preso após fazer uma funcionária de churrascaria refém no Jardim Tarumã.
Acusados negam participação
Na ação em que foi preso, o comparsa confessou o assassinato da idosa. No interrogatório policial, porém, negou ter desferido os golpes. Ele afirmou que o amigo pagou R$ 2 mil para ele aparecer nas câmeras de segurança e simular a autoria.
O sobrinho também negou participação no homicídio. Para a Justiça, ele agiu por “reprovável ódio vingativo”, por não aceitar a participação da tia na divisão da herança familiar.
A denúncia foi aceita pelo juiz Cesar David Maudonnet. Também foi autorizada a quebra de sigilo telefônico de Fábio e da esposa dele, entre 1º de maio e 1º de julho.
Acusado fez refém uma semana após o crime
Em 5 de julho, o comparsa fez uma funcionária de churrascaria refém em Campo Grande. Imagens mostram o homem com uma faca no pescoço da vítima enquanto ameaçava clientes e pedia um policial.
Um sargento de folga, vizinho do estabelecimento, negociou a libertação por 30 minutos. O homem foi algemado e encaminhado à delegacia. A vítima não teve ferimentos.
Durante o trajeto, a equipe policial percebeu cheiro de fumaça na viatura. O suspeito havia ateado fogo no próprio tênis com um isqueiro escondido na cueca.
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