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Estado

Omissão de dados leva Cade a reavaliar compra do Consórcio Guaicurus

Advogado aponta que Grupo Constantino omitiu intervenção e bloqueios judiciais; Cade analisa pedido para rever a aprovação da venda.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 19/10/2026 - 20:11 | Meu MS News
Omissão de dados leva Cade a reavaliar compra do Consórcio Guaicurus
Ônibus do Consórcio Guaicurus no Terminal Bandeirantes. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

O advogado Oswaldo Meza protocolou uma petição no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pedindo a reavaliação da compra do Consórcio Guaicurus pelo grupo goiano HP Mobilidade. Ele alega que o Grupo Constantino, antigo dono, omitiu informações cruciais sobre a situação da empresa em Mato Grosso do Sul.

Petição aponta omissão de dados ao Cade

Segundo a petição, durante o processo de aprovação da venda, os empresários não informaram ao órgão fiscalizador sobre a intervenção da Prefeitura de Campo Grande, os bloqueios judiciais e os processos administrativos que correm contra o Consórcio Guaicurus.

“Em nenhuma passagem da versão pública as requerentes informaram ao Cade que as sociedades-alvo estão sob intervenção”, destaca o documento protocolado por Meza.

Ele lista as principais omissões:

  • Intervenção: A Prefeitura de Campo Grande decretou intervenção no Consórcio Guaicurus.
  • Processo administrativo: A empresa corre risco de caducidade do contrato de concessão.
  • Ação Popular: Uma ação popular tramita na Justiça Estadual contra o consórcio.
  • Bloqueio judicial: A Justiça bloqueou valores do consórcio em junho de 2026.
  • Disputa de imóvel: A venda da garagem na Avenida Gury Marques enfrenta contestação judicial.

Venda de garagem e suspeita de irregularidades

Um dos principais pontos questionados é a venda da garagem do Consórcio Guaicurus. A garagem tem valor contábil de R$ 14,4 milhões, mas os antigos donos venderam o imóvel por R$ 7,7 milhões em 2021. A Agereg informou que o valor declarado da venda foi de R$ 9,9 milhões, e a empresa justificou a diferença com depreciação acumulada.

O advogado sustenta que os controladores retiraram o imóvel da concessionária por preço inferior ao contábil e agora o vendem novamente ao novo controlador do consórcio.

Cade aprova, mas Prefeitura impõe condições

O Cade aprovou a compra sem restrições, por considerar que não há concentração de mercado entre as empresas. No entanto, com a nova petição, a presidência do órgão analisa a revisão do processo com as informações omitidas.

Paralelamente, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, adiantou que só aceitará a nova empresa na cidade com contrapartidas. As exigências incluem:

  • Renovação da frota: Substituição dos atuais ônibus a diesel por veículos novos.
  • Ar-condicionado: Implementação do sistema de refrigeração em todos os veículos.
  • Sustentabilidade: Estudo para adoção de ônibus elétricos ou movidos a etanol.

O Grupo Constantino informou que não vai comentar o assunto. A Justiça ainda não analisou o pedido de Oswaldo Meza para integrar o processo de fiscalização da venda.

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