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Policial

STJ solta advogado preso pelo Gaeco e determina devolução de fiança

Juiz de Campo Grande manda retirar tornozeleira e devolver R$ 48,6 mil a advogado preso pelo Gaeco.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 20/10/2026 - 18:01 | Meu MS News
STJ solta advogado preso pelo Gaeco e determina devolução de fiança
Advogado Amilton Ferreira. (Foto: Arquivo Midiamax)

O juiz Adriano da Rosa Bastos, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, determinou o cumprimento da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que reconheceu a ilegalidade da prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida, de 60 anos. Com isso, ele ordenou a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução da fiança de R$ 48,6 mil.

Amilton foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) no dia 29 de setembro de 2026. Na segunda-feira (19), a Justiça havia revogado a prisão no início da tarde, com fiança de R$ 48,6 mil e monitoramento eletrônico. Horas depois, o STJ relaxou a prisão sem medidas cautelares.

A advogada de defesa, Damares Machado, afirmou que a determinação já foi despachada pelo juiz. “Não sei se dará tempo de ser cumprida ainda hoje, pelo horário, mas se não for hoje, será amanhã, pela manhã.”

“A gente enxerga que a Justiça está sendo feita. Desde o primeiro momento pautamos pela ilegalidade e agora foi reconhecido que a prisão é ilegal”, comemorou.

Advogado preso pelo Gaeco

Amilton estava preso temporariamente desde o dia 29 de setembro de 2026, quando foi alvo da Operação Obstructio, por suspeita de vazar informações sobre a Operação Infiltrados. Ele representava a defesa do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Hoffman se apresentou no dia 24 de setembro, acompanhado de Amilton. O advogado foi preso dias depois. A prisão gerou revolta entre criminalistas. No dia 30, um grupo de advogados se reuniu no Fórum Heitor Medeiros para manifestar apoio ao colega.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), parte dos entorpecentes era omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e repassada a traficantes.

A investigação começou em outubro de 2025. Evidências indicam que, entre 2021 e 2026, um grupo de policiais civis usou funções públicas para desviar drogas e reinseri-las no mercado ilegal. O desvio ocorria por omissão nos registros formais ou por subtração direta do depósito da delegacia, com repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’. Ele usava uma construtora para legalizar os recebimentos.

A operação cumpriu os seguintes mandados:

  • Prisão preventiva: 24 mandados.
  • Prisão temporária: 2 mandados.
  • Busca e apreensão: 38 mandados.

As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados e Terenos.

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