Fiems inabilita única empresa após denúncia antecipar resultado
A Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) inabilitou a única empresa que disputava a licitação para compra de uma usina solar. A decisão ocorre depois que o MPMS recebeu denúncia que antecipava o provável vencedor do certame.
No portal de compras da entidade, a licitação consta com a situação “Em Recurso (Fracassada)”. A empresa, que não teve o nome divulgado, apresentou lance de R$ 18 milhões e recorreu da inabilitação.
Denúncia foi protocolada um dia antes da licitação
Segundo ofício assinado pelo ouvidor do MPMS, promotor de Justiça Renzo Siufi, a denúncia foi registrada no dia 7 de outubro e encaminhada a uma promotoria para análise. O documento cita a Resolução nº 9/2026-CPJ para justificar a remessa.
O denunciante afirmou que a licitação seria vencida pela Usina San Vito Solar. A empresa foi criada pelo empresário Massimo Parisi, dono da MS Energy – Parisi S.A., em dezembro de 2023, com capital social de R$ 8.422.034,00.
Em maio de 2026, cinco meses antes da licitação, Massimo transferiu o controle da empresa para uma pessoa com vínculo próximo, cuja identificação foi suprimida por ordem judicial.
Suspeita de acordo para favorecer venda
A MS Energy, controlada por Massimo Parisi, pediu recuperação judicial em fevereiro, com passivo de R$ 56,9 milhões. A denúncia aponta que o empresário teria feito acordo com o presidente da Fiems, Sérgio Longen, para favorecer a venda da usina.
O denunciante afirmou que ouviu conversas entre Massimo e Longen discutindo “divisão de valores oriundos do faturamento da MS Energy”. Caberá ao MP analisar se o edital teria sido elaborado por engenheiro da MS Energy para incluir especificações técnicas que impedissem outras empresas de vencer.
Dirigentes da Fiems aparecem em documentos
Na recuperação judicial da MS Energy, constam valores a receber atribuídos a pessoas ligadas à Fiems:
- Luiz Gonzaga Crosara Júnior: vice-presidente da Fiems e administrador do CNPJ do projeto Em Conta Energia Renovável, com R$ 700 mil a receber.
- Alira Empreendimentos e Participações Ltda.: R$ 217 mil a receber; a empresa, que detém parte da Usina Flor do Campo, em Anastácio, tem como controlador Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems e ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.
A Fiems recebe recursos parafiscais transferidos pela Receita Federal, que devem alcançar R$ 60 milhões somente neste ano. A Controladoria-Geral da União (CGU) já adiantou que pode incluir denúncias de suspeitas de fraude em licitações de tecnologia na próxima auditoria sobre o Sistema S em Mato Grosso do Sul.
Procurados, envolvidos não responderam
A reportagem procurou a MS Energy por telefone, WhatsApp, e-mail e redes sociais, mas não obteve retorno. A atual controladora da San Vito Solar e a Parisi S.A. também não responderam.
A Fiems e sua assessoria jurídica foram acionadas por e-mail, sem resposta. Crosara não comentou a relação com a MS Energy nem uma possível participação na elaboração do edital. Jaime Verruck também não se manifestou.
O espaço segue aberto para manifestações e o texto será atualizado assim que houver retornos.
Uma montanha de ferro no pântano
Em pleno Pantanal ergue-se o Maciço do Urucum. Além de ser o ponto mais alto da região de Corumbá, a formação esconde reservas gigantescas de ferro e manganês, gerando um eterno braço de ferro entre a mineração pesada e a conservação ambiental.
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