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Policial

Policial civil é acusado de investir para desviar carga de drogas em MS, diz Gaeco

Denúncia do Gaeco contra 23 pessoas aponta que policial teria financiado transporte de entorpecentes mesmo após sair da Denar.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 22/10/2026 - 08:00 | Meu MS News
Policial civil é acusado de investir para desviar carga de drogas em MS, diz Gaeco
Droga encaminhada para a Denar. (Foto: Divulgação, PCMS)

Um policial civil investigado na Operação Infiltrados é acusado de ter investido dinheiro para viabilizar o transporte e desvio de drogas, além de participar da negociação de cocaína apreendida pela própria polícia. As suspeitas contra Neverson Vieira de Araújo — afastado do cargo após a prisão — constam na denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apresentada no dia 9 de outubro à Justiça.

O documento pede a condenação de 23 pessoas envolvidas em um esquema que desviava drogas apreendidas pela Denar e seria liderado pelo delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, também afastado. O Ministério Público requer ainda a perda dos cargos públicos dos policiais envolvidos e o pagamento de R$ 10 milhões.

Áudio revela investimento em desvio de carga

Na denúncia, o Gaeco transcreve um áudio atribuído ao suspeito de tráfico Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”. No trecho, ele cita Neverson e um terceiro homem, identificado como “Terror”, como participantes de um investimento para alugar uma carreta e contratar um motorista que desviaria a carga para o grupo.

“Eu, o Terror e o Neverson investiu, eu tinha que dar 25 mil, nós dividimos em três pra pegar esse trampo”, afirma Lucas. Na sequência, ele explica: “Tipo, que vai passar a perna no cara lá e vai trazer o material, aí vai ficar fofolândia, aí o que faltava era, era só investir, aí nós investimos, vai dar certo, certeza esse trampo, se Deus quiser”.

Para o Gaeco, a conversa indica que Neverson participou do financiamento de uma operação criminosa para obter uma carga de entorpecentes. À época dos diálogos, o policial já havia deixado a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Policial continuou atuando mesmo após sair da Denar

A denúncia sustenta que Neverson manteve o envolvimento no esquema mesmo depois de deixar a unidade especializada. Em maio de 2025, o Gaeco cita uma conversa entre ele e o policial Nilton César Sales dos Santos — também preso. Nilton pergunta se Neverson havia falado com “nosso jogador”, expressão associada a Lucas.

O diálogo ocorreu dois dias antes da instalação de um dispositivo de rastreamento (chamado “carrapato”) em um caminhão cuja carga, segundo a investigação, seria monitorada para posterior desvio. Para o Ministério Público, as conversas mostram que os policiais continuavam articulados com Lucas para acompanhar o transporte de drogas.

Desvio de cocaína apreendida em 2022

O Gaeco atribui a Neverson participação em outro episódio, em novembro de 2022, quando ele e Nilton participaram da apreensão de 30 quilos de pasta base de cocaína pela Denar. A droga teria sido posteriormente desviada, ao menos em parte, e negociada com uma organização criminosa por meio de Lucas.

Há ainda suspeitas relacionadas a uma apreensão de 326 quilos de cocaína realizada em dezembro de 2022 pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Dracco, em Campo Grande. A droga estava em compartimento oculto de um veículo que transportava uma placa solar; parte dos invólucros tinha a inscrição “BUGATTI”.

Segundo a denúncia, essa cocaína teria sido oferecida por policiais civis, entre eles Neverson, a integrantes da organização criminosa, com Lucas como intermediário. O Gaeco cita registros de chamadas entre Neverson e Lucas em 16 de dezembro e mensagens relacionadas à negociação e à cobrança de valores.

Transferências bancárias e ligações com traficante

A denúncia registra três transferências de Lucas para Neverson:

  • Outubro de 2021: R$ 100
  • Novembro de 2021: R$ 800
  • Março de 2022: R$ 600

Totalizando R$ 1,5 mil, os pagamentos são apontados como parte dos elementos que indicam a relação entre o policial e Lucas desde 2021. A acusação afirma que Neverson teria recrutado Lucas para o esquema naquele ano. O documento reúne registros financeiros, conversas telefônicas, áudios e dados extraídos de celulares apreendidos na Operação Infiltrados.

A denúncia é a acusação formal do Ministério Público e será analisada pelo juízo quanto ao possível recebimento. Caso aceita, a ação terá continuidade com abertura de prazos para as defesas.

A defesa do delegado Hoffman, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas serão questionadas durante a instrução processual. “Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele”, disse Rosa. O advogado declarou confiança no resultado: “Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer”.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados. O espaço segue aberto para posicionamento.

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