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Estado

STJ pode anular megaoperação contra desvio de R$ 27 milhões em MS

STJ analisa pedido para anular decisões da juíza May Melke na Operação Gutenberg, que apura desvio de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 02/11/2026 - 16:07 | Meu MS News
STJ pode anular megaoperação contra desvio de R$ 27 milhões em MS
Operação Gutenberg. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

STJ analisa pedido para anular decisões da juíza May Melke na Operação Gutenberg, que apura desvio de R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.

STJ analisa pedido contra juíza May Melke

O STJ vai analisar o pedido de impedimento da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna. Ela atua no Núcleo de Garantias de Campo Grande.

A defesa do empresário Giovanni Paroschi Jafar pede a nulidade dos atos decisórios. Eles partiram da 2ª Vara Criminal de Campo Grande. A lista inclui o recebimento da denúncia e a manutenção da prisão.

O caso está concluso para decisão do relator, ministro Messod Azulay Neto. Ele solicitou explicações à magistrada. “É imprescindível a aferição dos elementos de convicção que envolvem a controvérsia para verificar a existência das ilegalidades sustentadas”, justificou.

O MPF também emitiu parecer. A análise final caberá à Quinta Turma do STJ. A data ainda não foi marcada.

Esquema usava liberação de exames para pressionar prefeitos

Segundo as investigações do Gaeco, o grupo era chefiado pelo clã Jafar. Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação da Saúde, também era membro.

O esquema usava a estrutura de liberação de exames. Prefeitos eram pressionados a comprar livros das gráficas da família.

Rossana Paroschi Jafar é apontada como mentora do esquema. Ela é mãe de Giovanni. Felipe Paroschi Jafar também está preso. A operação foi deflagrada em 7 de julho.

Editora recém-criada fechou contrato de R$ 1 milhão

As investigações começaram em 2023. O Gaeco recebeu um envelope com denúncia sobre a Editora Avante. A empresa fechou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda.

  • Contrato: R$ 1 milhão
  • Capital social: R$ 40 mil
  • Sede: São Bernardo do Campo (SP)

Na época, Giovanni era casado com Rhayane Souza Fanaia. Ela era proprietária da editora e foi colocada como “laranja” pela família. Rhayane aceitou participar do esquema para receber 1% do lucro.

A quebra de sigilos do casal e da editora foi autorizada pelo juiz Eduardo Siravegna. Ele atuava na 2ª Vara Criminal à época.

Marido da juíza atuou no caso em 2023

O pedido do advogado José Belga Trad aponta que o juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior atuou no mesmo caso em 2023. Ele é marido da juíza May Melke.

Na ocasião, Eduardo proferiu decisão que determinou a quebra de sigilos bancários, fiscais e telemáticos de Giovanni. A medida também atingiu os demais investigados.

A defesa invoca os seguintes dispositivos para pedir o afastamento da juíza:

  • Artigo 252, inciso I, do CPP: veda atuação de juiz em processo no qual cônjuge ou parente até o 3º grau tenha funcionado.
  • Artigo 147 do CPC: prevê o impedimento do juiz.
  • Artigo 155 do Código de Organização Judiciária de MS: estabelece regra semelhante.

O que muda se juíza for declarada impedida?

A atuação de um juiz legalmente impedido gera a nulidade absoluta dos atos decisórios. A defesa argumenta que as ordens de prisão e busca não têm validade jurídica. Por isso, o réu deve ser solto.

Se o impedimento for reconhecido, as decisões assinadas pela juíza May Melke se tornam nulas. Os investigados presos terão as prisões anuladas. Os mandados de busca e apreensão e as provas derivadas também perdem validade.

O processo seria remetido ao substituto legal da juíza. Ele reanalisaria cada decisão tomada por ela. Provas obtidas com a quebra de sigilo autorizada pelo juiz Eduardo ainda seriam válidas.

Na operação, o Gaeco apreendeu mais de R$ 200 mil em espécie. A apreensão foi autorizada pela juíza May Melke.

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