Justiça mantém preso suspeito de esquema de desvio de drogas com policiais
Preso na Operação Infiltrados, Eberthe Batista de Almeida teve a prisão preventiva mantida pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 8ª Vara Criminal de Campo Grande. Na decisão, o magistrado afirmou que a detenção é essencial “até mesmo como forma de desmantelar e enfraquecer esse grupo criminoso, que movimentou milhões de reais de forma clandestina, envolvendo tanto civis quando agentes públicos em conluio de esforços”.
Esquema com policiais civis e desvio de cocaína
Conforme denúncia do Gaeco, Eberthe atuava ao lado de Lucas da Silva dos Santos, o “LK”, e de policiais civis da Denar para desviar drogas apreendidas. Entre os casos investigados está o desvio de 643 kg de cocaína apreendida pela Denar em Bela Vista, em maio de 2024.
Segundo as investigações, Eberthe e Lucas repassavam informações privilegiadas aos policiais participantes do esquema, que seria chefiado pelo delegado Hoffman Cândido. Todos os envolvidos estão presos.
Operação Infiltrados e o combate à organização criminosa
Em 24 de setembro de 2026, o Gaeco deflagrou a Operação Infiltrados contra a organização criminosa que desviava drogas apreendidas em ocorrências policiais. A ação cumpriu:
- Mandados de prisão preventiva: 24
- Mandados de prisão temporária: 2
- Mandados de busca e apreensão: 38, em Campo Grande, Dourados e Terenos
Como funcionava o desvio
As investigações, iniciadas em outubro de 2025 a partir de provas encontradas nas operações Traquetos e Blindspot, revelaram que o grupo atuava de duas formas principais:
- Omissão em registros formais: parte da droga apreendida deixava de ser declarada nos boletins de ocorrência.
- Apropriação do depósito: entorpecentes eram retirados diretamente do depósito da delegacia.
Em seguida, a droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a reintroduziam no mercado ilícito. Ou seja, os policiais usavam as prerrogativas dos cargos para atuar como fornecedores do tráfico.
Presos na operação
Foram presos na operação: Alison Lemes Bezerra (policial militar); Ana Carolina da Silva dos Santos (irmã de investigado); Augusto Torres Galvão Florindo (ex-policial civil); Carlos Alberto Alves Fonseca (investigado); Douglas Tobias (policial civil); Eberthe Batista de Almeida (investigado); Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa (delegado); Jéssica da Silva dos Santos (advogada); Kayon Lucas Leodoro da Silva (investigado); Lavínia Carvalho da Luz (investigada); Lucas da Silva dos Santos (investigado); Luiz Carlos de Souza (policial civil); Marcos André Santos Chaves (policial civil); Matheus Gabriel Machado Bezerra (investigado); Nelson Ricardo Barros de Oliveira (policial civil); Neverson Vieira de Araújo (policial civil); Nilton Cesar Sales dos Santos (policial civil); Paulo Sérgio Alves Duarte (investigado); Rayane Luiz Vieira (investigada); Roberto Palmeira da Silva (policial civil); Thiago Bezerra Laurentino (policial militar); Valdenice da Silva Gois (investigada); Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos (policial penal); Wesley Benite Matos Pereira Duarte (investigado).
O nome “Infiltrados” faz referência à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de estruturas destinadas ao combate ao crime para viabilizar os próprios ilícitos.
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