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Estado

Laranja do clã Jafar confessa desvio de R$ 27 milhões e tenta liberdade

Apontada como ‘laranja’ do clã Jafar, jovem confessa participação em desvio de R$ 27 milhões e pede liberdade à Justiça.
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 04/11/2026 - 07:27 | Meu MS News
Laranja do clã Jafar confessa desvio de R$ 27 milhões e tenta liberdade
Rhayane está presa desde julho. (Reprodução)

Apontada como ‘laranja’ do clã Jafar, jovem confessa participação em desvio de R$ 27 milhões e pede liberdade à Justiça.

Confissão em oitiva no Gaeco

Rhayane Souza Fanaia está presa em Goiânia (GO) desde a deflagração da Operação Gutenberg, em julho. No dia 29 de outubro, ela participou de oitiva com promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e confessou integração à organização criminosa liderada pelo clã Jafar.

“Durante o tempo que eu trabalhei na Clínica [Ross], a Rossana decidiu abrir a empresa, então eu ganhava percentual da empresa trabalhando na clínica para ela. Tudo o que ela pediu para eu fazer, tanto da clínica quanto da empresa, eu fazia para ela”, afirmou na ocasião.

Rhayane foi casada com Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana Paroschi Jafar, apontada como líder do esquema. A defesa da estudante tenta agora a liberdade ou a substituição da prisão por medidas cautelares.

De brechó a contratos milionários

A trajetória de Rhayane chamou a atenção pela velocidade com que os negócios escalaram. Poucos meses após fechar um pequeno brechó de roupas em Campo Grande, ela abriu a Editora Avante, com razão social Souza & Fanaia.

Sem estrutura física adequada nem acervo próprio, a empresa fechou contratos milionários com prefeituras como Miranda, Ivinhema, Dourados e Bonito. As compras eram feitas sem licitação, sob justificativa de “exclusividade” de livros infantis que podiam ser comprados por qualquer pessoa no site de outra distribuidora.

Esquema do clã Jafar

A primeira fase da Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho, revelou o esquema do clã Jafar. O grupo usava Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde, para liberar ou trancar procedimentos de prefeituras e forçar a compra dos livros.

Rossana exercia forte poder de decisão na gestão financeira da Editora Avante. Ela respondia por organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa.

A família já atuava por meio da Gráfica e Editora Alvorada, alvo da Operação Lama Asfáltica. Após a morte do patriarca Mirched Jafar Junior, em 2021, Rossana e os filhos criaram a Editora Avante em nome de “laranjas”.

Contratos sem licitação e lavagem de dinheiro

A empresa fechava contratos com diversos municípios de Mato Grosso do Sul, como Ladário, Angélica e Bonito. A própria organização montava os modelos de orçamento e as justificativas para direcionar a contratação direta.

Os valores recebidos eram pulverizados por meio de saques em espécie abaixo de R$ 50 mil, transferências para familiares e empresas de postos de combustível, bebidas e veículos. O esquema contava também com agentes públicos cooptados.

Empresários como Douglas Henrique de Melo e Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas, também recebiam valores na lavagem de dinheiro.

Lista de réus da Operação Gutenberg

Veja quem são os envolvidos:

  • Rossana Paroschi Jafar – prisão domiciliar; dentista e dona de gráfica
  • Olívia Paroschi Jafar – tornozeleira eletrônica; médica e dona da Clínica Ross
  • Felipe Paroschi Jafar – preso; ex-comissionado na Agesul
  • Giovanni Paroschi Jafar – preso; empresário
  • Rhayane Souza Fanaia – presa; apontada como “laranja” do clã Jafar
  • Ed Carlo Britto Burgatt – preso; ex-chefe da regulação de saúde do Estado
  • Jéssyca Duarte Burgatt – prisão domiciliar; filha de Ed e dona da Capital Saúde
  • Joatan Gomes Peixoto – prisão domiciliar; empresário
  • Matheus Oliveira Peixoto – preso; empresário
  • Francisco Anízio dos Santos – preso; empresário
  • Douglas Henrique de Melo – preso; empresário
  • Paulo Rogério de Melo – preso; empresário e pai de Douglas
  • Gabriel Taquino de Paula – preso; advogado
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior – preso; ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil
  • Heyder Bartz – foragido; empresário
  • Inácio da Silva Espíndola – não foi preso; ex-vereador e ex-servidor comissionado
Mascote Capy
🧉 Papo de Capivara

O fogo que gera vida

O ecossistema do Cerrado possui uma biologia paradoxal: precisa do fogo para renascer. As populações indígenas originais compreendiam esta lei natural e usavam queimadas controladas para estimular o rebentamento das plantas e alimentar a fauna.

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