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Policial

Justiça mantém ex-chefe da Denar preso por desvio de drogas

A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão do ex-chefe da Denar investigado por desvio de drogas na Operação Infiltrados.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 05/11/2026 - 12:58 | Meu MS News
Justiça mantém ex-chefe da Denar preso por desvio de drogas
Delegado Hoffman D'Ávila. (Foto: Arquivo/Madu Livramento, Midiamax)

A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão preventiva do delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Denar. A decisão, do juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 8ª Vara Criminal de Campo Grande, também negou a conversão da custódia em prisão domiciliar humanitária.

O delegado é réu na Operação Infiltrados, que o aponta como chefe de um esquema de desvio de drogas apreendidas pela polícia. Os entorpecentes eram vendidos por traficantes, e os lucros divididos entre os envolvidos.

Ex-chefe da Denar usava estrutura da Polícia Civil

Segundo os autos, o grupo atuava interceptando informações sobre carregamentos, efetuava apreensões formais e desviava parte da droga com a colaboração de agentes públicos e particulares. O juiz destacou que a gravidade das condutas decorre do uso da própria máquina pública voltada ao combate ao narcotráfico.

Hoffman também foi alvo da Operação Ifrits, da Polícia Federal, que mirou o clã Haidar, investigado por tráfico internacional de armas e drogas.

Risco de reiteração e ocultação de provas

O magistrado rejeitou a tese da defesa de que a necessidade da prisão se esvaziaria após o fim das diligências e o oferecimento da denúncia. A recente mudança de lotação funcional do delegado não reduz, na avaliação da Justiça, os riscos de reiteração ou articulação.

A decisão cita ainda indícios apontados pelo Ministério Público de que o réu teria adotado condutas para dificultar investigações e ocultar provas ao tomar conhecimento prévio da deflagração da operação policial. Isso justifica a manutenção da custódia por conveniência da instrução criminal.

Prisão domiciliar é negada por falta de comprovação

A defesa sustentou a aplicação de medidas cautelares alternativas ou a concessão de prisão domiciliar motivada por problemas de saúde. O juiz, contudo, observou que não ficou comprovada extrema debilidade por doença grave nem impossibilidade de assistência médica adequada no estabelecimento prisional.

O magistrado determinou que a unidade responsável garanta todo o suporte e tratamento médico necessários ao quadro clínico do preso.

Nova fase da Operação Infiltrados mira nove policiais

Na quinta-feira (5), o Gaeco mirou nove policiais da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira). Os agentes também estiveram na casa do delegado Guilherme Scucuglia, que esteve à frente da Defron em 2025 e atualmente está lotado na Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos).

Denúncia pede R$ 10 milhões em danos morais

A denúncia, protocolada em 9 de outubro, atribui a Hoffman e a outros policiais os seguintes crimes:

  • Organização criminosa;
  • Tráfico de drogas;
  • Corrupção;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Suspeita de interferência em investigação criminal.

O Gaeco pede a condenação dos denunciados e indenização de R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos.

O advogado José Roberto Rosa, que defende Hoffman, afirma que as provas serão questionadas durante a instrução processual. “Infelizmente, há indicações de que pessoas que agiam sob o comando do delegado teriam, de alguma forma, agido contra a lei, mas não há indicação direta de participação dele, a não ser recortes com indicações e suposições de que ele teria aderido a essa conduta”, disse.

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