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Policial

Laudo aponta asfixia e trauma no crânio em mulher achada em córrego

Família de Isabel, de 38 anos, revela que perícia apontou asfixia, lesões pelo corpo e traumatismo craniano.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 05/11/2026 - 09:57 | Meu MS News
Laudo aponta asfixia e trauma no crânio em mulher achada em córrego
Isabel Cristina Freitas de Souza tinha 38 anos. (Reprodução, Redes Sociais)

Laudo aponta asfixia e lesões pelo corpo

O laudo pericial apontou que Isabel Cristina Freitas de Souza, de 38 anos, foi asfixiada e sofreu trauma no crânio e na face. A informação foi divulgada pela família após o corpo ser encontrado dentro de um saco de lixo em um córrego na região de Terenos.

Isabel foi vista pela última vez saindo de um pagode na Avenida Capibaribe, em Campo Grande, acompanhada de um homem. O mototaxista ainda não foi localizado.

O irmão da vítima, Anibal de Souza Júnior, afirmou ao Jornal Midiamax que o laudo revelou asfixia. “O laudo deu asfixia e lesões no corpo, além de trauma no crânio e na face. Possivelmente, ele asfixiou. Ela tentou se esquivar de alguma coisa. E [houve] a pancada na cabeça e na face”, disse.

Enterro sem velório e cobrança por justiça

Isabel foi sepultada na manhã desta quinta-feira (5) no Cemitério Park Monte das Oliveiras. O velório não foi possível devido às condições em que o corpo foi encontrado.

O irmão lembrou a quantidade de feminicídios em Mato Grosso do Sul e cobrou mais segurança para as mulheres. “A gente quer não quer deixar no esquecimento. A gente não tá tendo segurança com as mulheres, com as irmãs, com a filha. Queremos justiça!”, declarou.

Anibal também lamentou a crueldade e pediu a prisão do suspeito. “Minha mãe não vai poder ver o rosto da filha uma última vez! Já imaginou passar por isso? Eu quero que a polícia dá mais detalhes e investiga melhor pra não ficar impune como os outros casos ficaram”, afirmou.

Sapato achado às margens do córrego ajudou a localizar corpo

A irmã de Isabel contou que soube pela imprensa sobre a localização do corpo e depois recebeu a ligação da polícia. Segundo ela, o sapato da vítima foi encontrado no dia anterior por uma testemunha, às margens do córrego, e entregue à equipe da Deam.

“Por volta das 18h40, a delegada me ligou e informou que ela foi encontrada com as características que eu tinha descrito. Foi graças ao sapato que chegaram ao corpo dela”, afirmou a familiar.

Mototaxista desapareceu após registro de boletim de ocorrência

O homem visto com Isabel pela última vez é mototaxista. Os dois frequentaram um pagode na Avenida Capibaribe e depois uma conveniência no Portal Caiobá, de onde saíram em uma motocicleta Yamaha Factor branca.

Conforme a irmã, ela teve contato com Isabel cerca de 20 minutos depois de a vítima sair da conveniência. Em seguida, Isabel não apareceu mais. O mototaxista sumiu após ser informado de que um boletim de ocorrência havia sido registrado.

O caso é investigado pela Polícia Civil. A família divulga cartazes nas ruas e a foto do suspeito nas redes sociais.

Feminicídios em Mato Grosso do Sul

O último feminicídio registrado em Campo Grande foi em 16 de setembro. Vera Lucia Rossate da Cunha foi assassinada dentro do comércio de aviamentos e cosméticos no bairro Zé Pereira. O autor, apontado como o irmão dela, Judicrei Rossate da Cunha, tirou a própria vida após o crime.

No estado, o caso mais recente ocorreu em 23 de outubro, em Três Lagoas. Thais de Souza Moraes, de 25 anos, levou oito tiros na Vila Alegre. Um homem de 41 anos, suspeito do crime, foi preso no dia seguinte pela PMMS.

Confira a relação de feminicídios registrados no estado:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro
  • Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro
  • Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro
  • Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março
  • Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março
  • Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março
  • Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março
  • Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril
  • Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril
  • Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril
  • Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio
  • Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho
  • Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho
  • Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho
  • Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho
  • Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho
  • Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho
  • Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto
  • Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto
  • Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto
  • Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto
  • Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto
  • Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto
  • Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto
  • Vera Lucia Rossatte da Cunha (Campo Grande) – 16 de setembro
  • Thais de Souza Moraes (Três Lagoas) – 23 de outubro

Canais de denúncia e apoio à mulher

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, e funciona 24 horas, inclusive aos fins de semana. No local funcionam a Deam, Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, atendimento social e psicológico, alojamento, brinquedoteca, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal. O telefone é 153.

Outros canais:

  • 180: Central de Atendimento à Mulher, com acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços da rede de enfrentamento à violência. O serviço funciona 24 horas, mas não atende emergências.
  • 190: emergência policial.
  • Promuse: (67) 99180-0542, para ligações e mensagens via WhatsApp.

As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DAMs) estão localizadas em Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Denúncias contra policiais podem ser feitas na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo (67) 3314-1896 ou no Gacep do MPMS pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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