PF revela selfies, abraços e karaokê de delegado com traficantes
Relatório da Polícia Federal mostra a relação de intimidade entre o delegado Hoffman e traficantes do ‘Clã Haidar’. As imagens integram a Operação Ifrit, que mira 29 suspeitos de integrar quadrilha de tráfico de drogas.
Fotos expõem relação íntima
As imagens anexadas ao relatório revelam momentos de descontração. Em uma delas, o investigado Adule Vasques Haidar aparece ao lado de Vitor da Silva, apontado como operacional do grupo. Os dois fazem uma selfie em frente à porta com a inscrição “Arquivo Investigação” na sede da Denar, no Jardim Itatiaia, em Campo Grande.
Em outra foto, Adule e Vitor aparecem novamente no interior da delegacia, com o logotipo da Denar ao fundo. Segundo a Polícia Federal, as imagens foram registradas em dezembro de 2025 e indicam a frequência das visitas noturnas dos traficantes à sede da especializada.
Delegado é apontado como peça-chave
A PF aponta que o delegado Hoffman teria lucrado R$ 15 milhões com a venda de cocaína desviada do depósito da Denar. Segundo as investigações, ele misturava fermento e farinha ao entorpecente. Veja os números:
- Lucro estimado: R$ 15 milhões
- Droga desviada: cerca de duas toneladas de cocaína
- Preço por quilo: entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil
Preso desde setembro, quando foi alvo da Operação Infiltrados, Hoffman é apontado como o principal agente público cooptado pelo grupo. Ele seria responsável por fornecer informações sigilosas sobre investigações, viabilizar a devolução de bens e veículos apreendidos e participar do desvio e da revenda de drogas apreendidas pela própria corporação.
O relatório também aponta que o delegado participava de reuniões com a cúpula da organização para tratar de ameaças e represálias contra desafetos. Em troca, recebia valores repassados por meio de contas de terceiros.
Encontros com líder do clã
Há registros de Hoffman com Adel Hassan Haidar, apontado como líder da organização. Em novembro de 2025, os dois aparecem em um teste de pontaria, com Adel empunhando uma arma longa. Em março deste ano, outro encontro terminou com um abraço de despedida.
Em maio, um vídeo gravado em Ponta Porã (MS) mostra o delegado e Adel em confraternização ao som de um karaokê. Para a PF, isso evidencia a proximidade pessoal entre eles.
Operação cumpre 76 mandados em 7 estados
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados judiciais, sendo 25 de prisão, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.
O grupo usava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino de armas e drogas. As investigações apontam que a organização movimentou cerca de R$ 500 milhões em dois anos. A droga e as armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, com rotas para a Europa, especialmente Espanha e Portugal.
Conheça os 29 alvos da operação
- Adel Hassan Haidar
- Adule Vasques Haidar
- Andrey Elesbão Silva
- Bassam Hassan Haidar
- Ahmed Brendo Benega Pereira
- Bruno Banega
- Bruno Leonardo Bergamasco
- Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
- Daniel Jonatas Ferreira
- Douglas Tobias
- Eduardo Greco
- Fahd Haidar
- Hector Salinas Esquivel
- Hoffman D’ávila Candido e Sousa
- Ireneo Ramom Acosta
- João Fernando Andrade de Carvalho
- Jorge Adalid Granier Ruiz
- José Miguel Vela Caprioli Junior
- Mamede Alhaj Haidar
- Maroan Fernandes Haidar
- Ahmed Nasser Haidar
- Pedro Henrique Flores Camargo
- Rafael Rodas Neto
- Renan Braiana Garcia Presotto
- Salazar José Batista
- Valdeson Pereira dos Santos
- Valter Ulisses Martins Silva
- Victor Hugo Santos Queiroz
- Vitor da Silva
Defesa do delegado se manifesta
Procurada, a defesa de Hoffman informou que ele já estava preso e foi encaminhado à unidade prisional competente. Os advogados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos e que qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura.
“A Defesa reitera que prisões cautelares e medidas investigativas não representam juízo definitivo de responsabilidade penal”, diz a nota.
Os lobos dos rios pantaneiros
As águas turvas do Pantanal são a fortaleza da ariranha, a lontra gigante da América do Sul. Estes predadores ágeis caçam em grupos tão estruturados que são capazes de afugentar até onças-pintadas das margens.
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