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Policial

Policial civil vazava informações por dinheiro, celulares e itens táticos

Policial civil cooptado desde 2021 vazava informações sigilosas em troca de dinheiro, celulares e artigos táticos, aponta a PF.
Por Roberto Vieira - Meu MS News
Publicado em 06/11/2026 - 15:07 | Meu MS News
Policial civil vazava informações por dinheiro, celulares e itens táticos
Dinheiro apreendido durante a Operação Ifriti, em mandados cumpridos em Mato Grosso do Sul. (Divulgação, PF)

A Operação Ifrit, deflagrada na quarta-feira (4) pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, investiga uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções, com participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um PRF de outro estado. Entre os alvos está o policial civil Douglas Tobias, apontado como cooptado pelo grupo desde meados de 2021.

Segundo o relatório ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, Tobias vazava informações sigilosas em troca de valores em dinheiro, produtos militares e celulares da organização criminosa.

Policial cooptado desde 2021

As investigações apontam que Douglas Tobias e o policial civil Andrey Elesbão Silva mantinham contato próximo e frequente com Adel Hassan Haidar e Adule Vasques Haidar. Em diálogos obtidos pela PF, Tobias encaminhou dois modelos de iPhones para Adule e sugeriu um encontro na casa de Adel, seu pai.

Em 23 de junho de 2024, um novo encontro entre Douglas, Adule e Adel ocorreu na casa do policial, no residencial Alphaville, em Campo Grande. Nas conversas, Tobias fala da aquisição de uma mochila da marca 5.11, especializada em artigos táticos e militares. Adule afirma ter enviado mensagem para “outro celular” de Douglas, o que sugere o uso de canal de comunicação diverso.

Nas anotações de Adule, foram verificadas referências a iPhones, duas pistolas Glock, duas caixas de munição e a mochila 5.11. Adule teria enviado dados bancários a Douglas para pagamento dos aparelhos, mas não foram identificados pagamentos dos demais itens.

Compartilhamento de informações sensíveis

Em 9 de junho de 2021, Adel encaminhou a Adule os contatos “Ascari Andrey” e “Tobias”, associados aos policiais. Dias depois, Adule afirmou ao pai que precisaria repassar R$ 190 mil ou R$ 200 mil ao “Askarie”, expressão usada para designar policial colaborador do esquema criminoso.

Em 25 de julho de 2021, 14 dias depois de duas mortes envolvendo Maroan, primo de Adule, ele enviou foto de dentro de seu veículo, ao lado de uma viatura da Garras, com dois policiais identificados como Andrey e Douglas. Em uma das ocasiões, Adel repassou a foto de uma pessoa, a quem chama de “piroca”, provável desafeto, e pediu para Adule perguntar o nome a Andrey ou Tobias.

A investigação também encontrou o delegado Hoffman D’Ávila mencionando dois depósitos sequenciais que somam R$ 205 mil, provenientes de uma concessionária de veículos para uma empresa de móveis de propriedade da esposa de Douglas. Douglas pesquisava em sistemas policiais restritos, monitorava alvos de interesse do grupo e vazava informações sigilosas.

A análise bancária identificou três transações de R$ 25 mil destinadas à empresa da esposa de Douglas, evidenciando o suposto elo entre Hoffman e Tobias. Também foi emitida uma nota fiscal de R$ 99.900 da empresa, mas os pagamentos encontrados somaram R$ 75 mil, o que pode indicar repasse em espécie ou por meio de contas de pessoas interpostas.

Relação entre delegado e traficantes

A PF registrou dois encontros entre Hoffman D’Ávila e Adel Hassan Haidar, em novembro de 2025 e março deste ano. Em um deles, Adel aparece ao lado do delegado empunhando uma arma longa, em teste de pontaria. No segundo, eles se despedem com um abraço.

Em vídeo gravado em maio do ano passado, em Ponta Porã, o delegado aparece com Adel em momento de confraternização, ao som de karaokê. Para a PF, isso evidencia a relação de proximidade pessoal. Hoffman também integraria reuniões de alinhamento com a cúpula da organização para tratar de ameaças e represálias, recebendo valores por meio de contas de terceiros.

Operação Ifrit cumpre 76 mandados

A Operação Ifrit cumpriu 76 mandados judiciais, sendo 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.

Em Campo Grande, equipes apreenderam um Mustang em um condomínio de luxo, supostamente de Douglas Tobias. O veículo seria do policial, que também é alvo da Operação Infiltrados, que investiga desvio de drogas apreendidas pela Denar. Também foram apreendidos uma caminhonete L200 Triton, armas, munições, dinheiro, dólar e um relógio Rolex dourado.

Esta é a segunda vez em menos de dois meses que o delegado Hoffman e o policial Douglas são alvos de operação. Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar estão foragidos, e Bassan Hassan Haidar está preso.

Saiba quem são os 29 alvos da operação

  • Adel Hassan Haidar
  • Adule Vasques Haidar
  • Andrey Elesbão Silva
  • Bassam Hassan Haidar
  • Ahmed Brendo Benega Pereira
  • Bruno Banega
  • Bruno Leonardo Bergamasco
  • Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
  • Daniel Jonatas Ferreira
  • Douglas Tobias
  • Eduardo Greco
  • Fahd Haidar
  • Hector Salinas Esquivel
  • Hoffman D’ávila Candido e Sousa
  • Ireneo Ramom Acosta
  • João Fernando Andrade de Carvalho
  • Jorge Adalid Granier Ruiz
  • José Miguel Vela Caprioli Junior
  • Mamede Alhaj Haidar
  • Maroan Fernandes Haidar Ahmed
  • Nasser Haidar
  • Pedro Henrique Flores Camargo
  • Rafael Rodas Neto
  • Renan Braiana Garcia Presotto
  • Salazar José Batista
  • Valdeson Pereira dos Santos
  • Valter Ulisses Martins Silva
  • Victor Hugo Santos Queiroz
  • Vitor da Silva
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