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Estado

Decisão do STF travou mais de 900 ações sobre “pejotição” em MS

Processos que pedem reconhecimento de vínculo empregatício ficam suspensos até julgamento final do Tema 1389 pelo Supremo Com a recente decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Justiça do Trabalho precisou suspender todas as ações envolvendo a chamada pejotização. Somente no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, que atende Mato […]
Por Camila Duarte - Meu MS News
Publicado em 16/04/2025 - 17:08 | Meu MS News
Decisão do STF travou mais de 900 ações sobre “pejotição” em MS
Foto: Divulgação

Processos que pedem reconhecimento de vínculo empregatício ficam suspensos até julgamento final do Tema 1389 pelo Supremo

Com a recente decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Justiça do Trabalho precisou suspender todas as ações envolvendo a chamada pejotização. Somente no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, que atende Mato Grosso do Sul, 923 processos abertos em 2025 foram paralisados.

A medida atende ao entendimento do STF de que a Justiça trabalhista tem descumprido decisões da Corte, que em diversas ocasiões considerou lícita a contratação de pessoas jurídicas no lugar de empregados celetistas. Na visão do ministro, isso gera insegurança jurídica e sobrecarrega o STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas.

A pejotização é a prática adotada por empresas para contratar trabalhadores como pessoa jurídica (CNPJ), driblando obrigações trabalhistas previstas na CLT. Embora a manobra tenha se tornado comum em diversas áreas, principalmente entre cargos com salários mais altos, nem sempre o contrato reflete a realidade da relação de trabalho.

Nos últimos anos, a quantidade de ações desse tipo tem crescido consideravelmente. Em 2022 foram 153.198 processos. O número saltou para 180.642 em 2023 e chegou a 285.055 em 2024. Em 2025, o reconhecimento de vínculo já aparece como o 15º tema mais comum na Justiça do Trabalho.

Conforme dados do TRT-24, entre janeiro e março deste ano, 419 ações foram abertas apenas em Campo Grande. Além disso, 173 já estão na fase de execução. Em 2024, o volume foi ainda maior: 6.500 processos na fase inicial e 917 já em execução.

Com a suspensão determinada pelo Supremo, todos os processos que ainda estão na fase de conhecimento — quando o juiz analisa se há vínculo de emprego ou não — ficarão congelados. A paralisação segue até que o STF julgue o mérito do chamado Tema 1389, que definirá, com repercussão geral, a legalidade ou não da pejotização em situações específicas.

Para o advogado Pedro Henrique Marzabal, presidente da Comissão da Advocacia Trabalhista da OAB/MS, o tema exige análise caso a caso. “Essas relações contratuais são comuns, principalmente em cargos de alto salário, mas há situações em que o trabalhador é levado a aceitar o contrato via CNPJ sem compreender as perdas envolvidas. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente”, afirma.

Segundo ele, no Mato Grosso do Sul, um dos setores que mais aderem à pejotização é o de vendas externas. No entanto, a prática já se estende também aos setores de tecnologia da informação, saúde, educação e construção civil.

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Edição:
Redação Meu MS News
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