Advogado é preso suspeito de vazar dados da Operação Infiltrados do Gaeco
O advogado Amilton Ferreira foi preso temporariamente nesta terça-feira (29) sob suspeita de vazar informações da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na última quinta-feira (24) em Campo Grande. A operação prendeu o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe de um esquema de desvio de drogas na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
No dia da operação, Amilton representava a defesa do delegado e afirmou não ter sido informado sobre o mandado de prisão. Ele foi preso na segunda fase da Operação Infiltrados, chamada Obstructio, que cumpriu um mandado de prisão temporária e dois de busca e apreensão. O MPMS afirma que há evidências de comunicação criminosa da ação policial, o que prejudicou a investigação.
Defesa nega vazamento
A advogada Damares Machado, que representa Amilton, confirmou a prisão e disse que o cliente nega ter vazado informações. “Ele não vazou informações, ele nega isso, até porque ele não teve essas informações, ninguém avisou ele sobre nada. Mas, como advogado criminalista, é óbvio que a gente imagina o que pode acontecer no decorrer do processo”, afirmou. A defesa alega que, mesmo se tivesse alertado o cliente, isso não seria crime, pois é inerente à profissão.
Operação Infiltrados: desvio de drogas
A Operação Infiltrados investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína, por agentes de segurança. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes era omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas das operações Traquetos e Blindspot.
A operação cumpriu:
- 24 mandados de prisão preventiva
- 2 mandados de prisão temporária
- 38 mandados de busca e apreensão
As ações ocorreram em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Delegado comandava esquema na Denar
Segundo o Gaeco, o delegado Hoffman D’Ávila ocupava posição de comando no esquema, sendo um dos principais beneficiários. Em áudios gravados pelo traficante ‘LK’, o delegado é mencionado pelo apelido ‘Careca’ e aparece dando ordens para o transporte de drogas. O MPMS informou que a investigação segue em andamento e está sob sigilo legal.
O advogado Amilton foi levado ao IML para exame de corpo de delito e será encaminhado ao Presídio Militar Estadual. A OAB-MS acompanhou o cumprimento do mandado.
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