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Terça-feira, 10 Fevereiro, 2026
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    Direita de MS se movimenta de olho no capital político de Bolsonaro

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    Com o PL enfraquecido após escândalos envolvendo o Tenente Portela, lideranças de PSDB e PSD articulam nos bastidores para assumir o controle do partido no Estado, mirando apoio de Bolsonaro.

    O bolsonarismo continua sendo o principal trunfo eleitoral da direita em Mato Grosso do Sul. Não por acaso, o PL — partido pelo qual o ex-presidente foi reeleito deputado em 2022 — virou a “noiva mais cobiçada” por lideranças locais, como o governador Eduardo Riedel (PSDB), o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o senador Nelsinho Trad (PSD). Todos tentam, com discrição, se aproximar de Jair Bolsonaro e da cúpula do partido, de olho no capital político que ainda orbita o ex-presidente.

    O movimento nos bastidores ganhou força depois que o atual presidente do PL no Estado, o tenente-coronel Aparecido Andrade Portela — conhecido como Tenente Portela — foi envolvido em investigações sobre o financiamento da tentativa de golpe em 2022. Desde então, o comando da sigla está em xeque, e o ex-presidente ainda não sinalizou se pretende manter o aliado no posto.

    Segundo fontes próximas às articulações, se Bolsonaro der o sinal verde para a saída de Portela, o PL pode até mesmo ser incorporado por uma federação, ou então, controlado por um dos grupos que hoje compõem a direita sul-mato-grossense. Azambuja, por exemplo, estaria disposto a assumir o comando da legenda caso Bolsonaro decida apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à Presidência em 2026.

    Há consenso entre as lideranças de que Tarcísio é o único nome da direita com o qual Bolsonaro não demonstra resistência. Ainda assim, o ex-presidente insiste em manter sua pré-candidatura, repetindo a estratégia de Lula em 2018. Caso decida abrir mão dessa disputa, ele também teria de abandonar a ideia de lançar um nome da própria família, como Eduardo ou Michelle Bolsonaro.

    Mesmo inelegível, Bolsonaro segue com grande influência em Mato Grosso do Sul. Em 2022, ele derrotou Lula no Estado por 19 pontos de diferença e ainda elegeu dois deputados federais pouco conhecidos até então: Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira. Também garantiu três cadeiras na Assembleia Legislativa e convenceu a senadora Tereza Cristina a colocar Portela como suplente.

    Entretanto, o cenário mudou após a delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Com a repercussão do escândalo, Bolsonaro orientou Portela a “sumir” por um tempo — ou como ele mesmo disse: “vai pescar”. Desde então, o presidente regional do PL se mantém recluso e não atendeu aos pedidos de entrevista.

    O caso ganhou novos contornos quando, nos autos do STF, a Procuradoria-Geral da República separou a apuração sobre as ações de Portela do restante do processo. Ele já foi indiciado e pode figurar na próxima leva de denunciados.

    Na denúncia, consta uma conversa entre Portela e Mauro Cid, em que o tenente usou linguagem cifrada para indicar que estaria sendo pressionado por ruralistas que ajudaram financeiramente os acampamentos golpistas. “O pessoal que colaborou com a carne, estão me cobrando se vai ser feito mesmo o churrasco”, disse ele, numa clara referência ao golpe.

    Cid respondeu garantindo que a ruptura ainda era uma possibilidade. Segundo ele, Bolsonaro estimulava essa expectativa deliberadamente. Para o delator, Portela sempre foi próximo de Bolsonaro e incentivava ações que pudessem provocar a tal ruptura institucional.

    Mesmo assim, lideranças locais como Marcos Pollon veem exagero nas investigações. “É tudo muito fantasioso, um enredo de filme de ficção sobre um suposto golpe. Acredito que Portela falava mesmo de um churrasco”, afirmou.

    A relação entre Bolsonaro e Portela vem de longa data. Ambos se conheceram no Exército, em Nioaque, no fim da década de 1970. Juntos, garimparam, pescaram e até investiram no agro, com plantações frustradas de arroz e melancia. Nos 69 dias após o segundo turno de 2022, Portela esteve com o então presidente 34 vezes. Era presença constante nos palácios do Planalto e da Alvorada.

    Agora, o futuro do PL no Estado depende da decisão da PGR, do STF e, principalmente, do ex-presidente Bolsonaro — que, apesar de todos os escândalos, segue sendo a figura mais influente na política de direita de Mato Grosso do Sul.

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