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Terça-feira, 10 Fevereiro, 2026
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    InícioMato Grosso do SulDesembargadores afastados do TJ custaram R$ 2 milhões sem trabalhar

    Desembargadores afastados do TJ custaram R$ 2 milhões sem trabalhar

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    Mesmo longe das funções desde outubro, magistrados investigados por venda de sentenças continuaram a receber salários altos, alguns superiores a R$ 190 mil por mês

    Mesmo afastados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) desde outubro de 2024, os quatro desembargadores alvos da Operação Ultima Ratio receberam juntos mais de R$ 2 milhões entre dezembro e março. A operação, deflagrada pela Polícia Federal, investiga a venda de sentenças no Judiciário sul-mato-grossense.

    Os valores estão disponíveis no Portal da Transparência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Somente em dezembro, o desembargador Sideni Soncini Pimentel, por exemplo, recebeu R$ 190.757,49. Já Vladimir Abreu da Silva teve pagamento de R$ 186.785,72. Marcos José de Brito Rodrigues e Alexandre Aguiar Bastos também ultrapassaram os R$ 100 mil, com R$ 187.580,07 e R$ 146.717,64, respectivamente.

    Esses montantes incluem o subsídio fixo de R$ 39.717,69, além de adicionais como direitos pessoais, indenizações e valores eventuais, os quais impulsionaram as cifras.

    Em janeiro, Sideni novamente liderou os pagamentos, com R$ 162.957,49. Já Bastos recebeu o menor valor do grupo, com R$ 46.866,88. Nos meses seguintes, as remunerações se estabilizaram, ainda acima dos R$ 49 mil mensais, mesmo sem exercerem funções.

    A soma dos quatro magistrados nos quatro meses totaliza R$ 2.022.103,98, valor que chama atenção diante da média salarial em Mato Grosso do Sul, que é de R$ 3.909, segundo dados do governo federal. O salário-mínimo nacional atualmente é de R$ 1.518.

    O prazo de afastamento dos desembargadores se encerra nesta semana, após seis meses. Com o caso agora sob relatoria do ministro Cristiano Zanin no STF (Supremo Tribunal Federal), será definido se eles retornam ou continuam afastados.

    Quem são os investigados

    • Alexandre Aguiar Bastos: É suspeito de comprar imóveis e carros com dinheiro vivo e sem movimentações compatíveis. Seu antigo escritório de advocacia, hoje tocado pelos filhos, tinha contratos com prefeituras cujos processos ele julgava.

    • Marcos José de Brito Rodrigues: Acusado de pressionar outros juízes para beneficiar partes específicas. Investigações apontam envolvimento dos filhos no esquema, com apoio de outro desembargador já aposentado.

    • Sideni Soncini Pimentel: Seu filho, Rodrigo Pimentel, aparece como peça-chave. Há transferências bancárias suspeitas e indícios de ocultação de bens envolvendo sua filha, Renata, com movimentações de mais de R$ 4 milhões.

    • Vladimir Abreu da Silva: Filhos do magistrado atuam em escritórios que teriam recebido centenas de depósitos em espécie. Há suspeita de confusão patrimonial entre pai e filhos.

    O TJMS foi procurado para comentar os pagamentos, mas até a publicação desta matéria não respondeu. O espaço segue aberto para manifestações.

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