Estado tem 318 casos e uma morte por coqueluche em 2025; baixa cobertura vacinal é apontada como principal causa do avanço das doenças
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu alerta nesta semana após registrar crescimento significativo nos casos de coqueluche e febre amarela em países do continente americano. No Brasil, Mato Grosso do Sul lidera os registros de coqueluche em 2025, com 318 notificações, incluindo a morte de um bebê de apenas 1 mês e 29 dias em Campo Grande.
Ao todo, a região das Américas já acumula 43.751 casos de coqueluche desde o início de 2024, o maior número desde 2019. Os Estados Unidos lideram o ranking com mais de 10 mil notificações. No Brasil, foram confirmados 1.634 casos apenas em 2025, com cinco óbitos. Além de MS, os estados com maiores altas são São Paulo (274 casos) e Rio Grande do Sul (234).
Segundo a Opas, o avanço da coqueluche está diretamente ligado à queda na cobertura vacinal durante a pandemia. Em 2021, as coberturas vacinais na América chegaram ao pior índice em 20 anos: 87% para a primeira dose (DTP1) e apenas 81% para a terceira dose (DTP3). A baixa adesão favoreceu a volta da doença, especialmente entre crianças menores de um ano, que representam 27,7% dos casos.
A coqueluche — conhecida como “tosse comprida” — é causada pela bactéria Bordetella pertussis, transmitida por gotículas de saliva. De acordo com o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a doença tem alta transmissibilidade e pode afetar toda a população, já que a imunidade não é duradoura.
A morte do bebê em Campo Grande ocorreu em fevereiro, após agravamento do quadro respiratório, com bronquiolite e pneumonia. A criança ainda não havia recebido as vacinas por conta da idade. O caso foi confirmado por exames realizados pelo Lacen-MS (Laboratório Central de Mato Grosso do Sul).
O Campo Grande News procurou a Secretaria Estadual de Saúde para saber quais medidas estão sendo tomadas no combate à doença, mas ainda não houve resposta.
Febre amarela também preocupa
Além da coqueluche, os casos de febre amarela também aumentaram em 2025. Até o dia 25 de maio, foram confirmados 235 casos humanos em cinco países das Américas, com 96 mortes. O Brasil registrou 111 desses casos, com 44 óbitos. Os estados mais afetados foram São Paulo (55 casos e 31 mortes), Pará (45 e 7), Minas Gerais (10 e 5) e Tocantins (1 caso fatal).
A Opas classificou o risco como “alto”, embora os números sejam semelhantes aos de outros anos com esse mesmo nível de alerta. O órgão reforça a necessidade urgente de ampliar a cobertura da vacina contra a febre amarela, que está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o país.


