Presidente americano disse que os Estados Unidos estão ‘prontos para ajudar’ iraniano a se libertarem do regime; em Londres, um manifestante substituiu brevemente a bandeira da República Islâmica do Irã por outra do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana
Os protestos no Irã contra o governo e a pressão econômica, deixaram ao menos 192 mortos, informou um grupo de direitos humanos neste domingo (11). “Desde o início dos protestos, a organização Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes”, afirmou a ONG sediada na Noruega, acrescentando que o número de mortos pode ser muito maior, pois uma interrupção na internet os impediu de verificar os dados por vários dias. O número de mortos anterior era de 51, incluindo nove crianças. A Anistia Internacional assinalou que está analisando elementos que indicam que a repressão se intensificou nos últimos dias.
No sábado (11), após a nova onda de manifestações, o presidente americano Donald Trump disse que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”. “O Irã está olhando para a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!”, disse Trump em uma publicação na rede Truth Social, sem dar mais detalhes, um dia depois de afirmar que o Irã tem “sérios problemas” e advertir novamente que poderia ordenar ataques militares. Em Londres, um manifestante substituiu brevemente a bandeira da República Islâmica do Irã por outra do antigo regime monárquico na fachada da embaixada iraniana, durante um ato de apoio ao movimento de protesto que reuniu centenas de pessoas, segundo testemunhas.
O governo iraniano não enfrentava um movimento de protesto dessa magnitude desde as marchas organizadas em 2022 após a morte de Mahsa Amini, que foi presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino. Essas manifestações ocorrem quando o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais. Foram registradas em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.
Os protesto, iniciados há duas semanas por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica do país, representam um dos maiores desafios das autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. No sábado (10), uma onda de protesto foi realizada apesar dos temores de uma repressão brutal e após mais de dois dias sem acesso à internet no maior movimento de protesto contra o governo em mais de três anos. Uma multidão se reuniu em um distrito do norte da capital.
As imagens obtidas pela AFP mostram manifestantes realizando um panelaço, soltando fogos na praça Punak de Teerã e gritando palavras de ordem em apoio à dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. O país está sem acesso à internet há 48 horas, após um apagão nacional imposto pelas autoridades, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. O cenário dificulta ter acesso a qualquer informação.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, criticou na sexta-feira os “vândalos” que, segundo ele, estão por trás dos protestos, e acusou os Estados Unidos de incitá-los. “Estamos em plena guerra”, declarou Ali Larijani, um de seus conselheiros e chefe da principal agência de segurança do país, denunciando “incidentes orquestrados no exterior”.
A ganhadora iraniana do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, alertou na sexta-feira que as forças de segurança podem estar se preparando para cometer um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio das comunicações”. O filho do xá deposto, Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos, convocou os iranianos a organizar protestos mais focalizados neste fim de semana e a “tomar e manter os centros urbanos”.
*Com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan News


