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    Irã acusa Trump de criar ‘pretexto’ para intervenção militar

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    Assinado pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, o documento foi enviado após Trump incitar a população do Irã a protestar e ocupar instituições

    O governo do Irã acusou na terça-feira, 13, os Estados Unidos de tentarem criar um pretexto para intervenção militar, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar uma “ação forte” diante da repressão mortal a protestos em massa.

    “As fantasias dos EUA e políticas em relação ao Irã têm como base a mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação planejada e caos servindo como o modus operandi para criar um pretexto para intervenção militar.”

    Assinado pelo embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, o documento foi enviado após Trump incitar a população do Irã a protestar e ocupar instituições. E afirmou ainda que “o manual” empregado por Washington “voltará a fracassar”.

    “Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO- OCUPEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes PARE.A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

    Repressão e mortes

    Segundo a Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, o número de mortes é o maior em uma onda de protestos ou distúrbios no Irã em décadas e lembra o caos que cercou a Revolução Islâmica de 1979.

    A televisão estatal iraniana fez o primeiro reconhecimento oficial das mortes, citando um funcionário que disse que o país tinha “muitos mártires” e que não havia divulgado um número de mortos antes devido aos ferimentos graves sofridos pelas vítimas No entanto, a declaração só ocorreu depois que os ativistas relataram o número de vítimas.

    Os protestos começaram há pouco mais de duas semanas, motivados pela indignação com a economia do Irã, e logo se voltaram contra a teocracia, em particular contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos.

    Imagens obtidas nesta terça-feira pela Associated Press, referentes aos protestos em Teerã, mostravam pichações e cânticos pedindo a morte de Khamenei – algo que poderia resultar em pena de morte.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista à rede de notícias via satélite Al Jazeera, financiada pelo Catar e exibida na noite de segunda-feira, afirmou que continua em contato com o enviado dos EUA, Steve Witkoff.

    Mas, após a mensagem de Trump nesta terça-feira, o principal oficial de segurança iraniano, Ali Larijani, respondeu escrevendo: “Declaramos os nomes dos principais assassinos do povo do Irã: 1- Trump 2-” o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu.

    Número de mortos dispara

    O grupo ativista afirmou que 1.850 dos mortos eram manifestantes e 135 eram ligados ao governo. Nove crianças foram mortas, juntamente com nove civis que, segundo o grupo, não participavam dos protestos. Mais de 16.700 pessoas foram detidas.

    Com a internet fora do ar no Irã, avaliar as manifestações do exterior tornou-se mais difícil. A Associated Press não conseguiu avaliar o número de mortos de forma independente. O governo iraniano não divulgou números totais de vítimas.

    Skylar Thompson, da Human Rights Activists News Agency, disse à AP que o novo número de mortos era chocante, principalmente porque atingiu quatro vezes o número de mortos dos protestos de Mahsa Amini, que duraram meses em 2022, em apenas duas semanas.

    Ela alertou que a quantidade de mortes ainda aumentaria: “Estamos horrorizados, mas ainda achamos que o número é conservador”.

    Falando por telefone pela primeira vez desde que suas ligações com o mundo exterior foram cortadas, testemunhas iranianas descreveram uma forte presença policial no centro de Teerã, prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e poucos pedestres. Enquanto isso, as pessoas estavam preocupadas com o que viria a seguir, incluindo a possibilidade de um ataque dos EUA.

    “Meus clientes comentam sobre a reação de Trump e se perguntam se ele planeja um ataque militar contra a República Islâmica”, disse o comerciante Mahmoud, que só deu seu primeiro nome por receio de represálias. “Não acho que Trump ou qualquer outro país estrangeiro se importe com os interesses dos iranianos.”

    Reza, um taxista que também só deu seu primeiro nome, disse que os protestos estão na mente de muitas pessoas. “As pessoas – principalmente os jovens – estão desesperançosas, mas falam em continuar os protestos”, afirmou.

    *Estadão Conteúdo

    Fonte: Jovem Pan News

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