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    Trump afirma que ‘massacre no Irã está cessando’, mas mantém ambiguidade sobre intervenção

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    Durante um evento na Casa Branca, o presidente dos EUA também declarou que uma ‘boa fonte’ lhe informou que, no momento, ‘não há planos de execuções’ de detidos.

    Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (14) que “o massacre no Irã está cessando”, após dias de repressão às manifestações por parte das autoridades, mas mostrou-se ambíguo quanto à possibilidade de uma intervenção militar americana, ao afirmar que Washington está monitorando a situação.

    As manifestações começaram como um protesto contra o custo de vida, mas se transformaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979 e que, desde 1989, é dirigido pelo líder supremo Ali Khamenei.

    Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que, aproveitando um corte de internet de mais de cinco dias, as autoridades iranianas estão realizando a repressão mais severa em anos no país, que deixou ao menos 3.428 mortos, segundo uma ONG.

    Durante um evento na Casa Branca, o presidente americano afirmou que lhe haviam comunicado “de boa fonte” que “o massacre no Irã está cessando, cessou”.

    “E não há planos de execuções” de detidos, acrescentou Trump.

    Quando um jornalista da AFP perguntou se uma intervenção militar havia sido descartada, Trump respondeu: “Vamos observar e ver o que acontece depois”.

    Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à emissora Fox News que não haverá execuções de manifestantes “nem hoje nem amanhã”.

    Sobre esse aspecto, o grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, indicou que a execução por enforcamento do manifestante iraniano Erfan Soltani estava programada para esta quarta-feira, mas foi adiada.

    Em várias ocasiões, Trump ameaçou lançar uma operação militar contra a República Islâmica para conter a repressão ao movimento de protestos no país de 86 milhões de habitantes.

    Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, as forças de segurança iranianas mataram ao menos 3.428 manifestantes e detiveram mais de 10 mil pessoas, embora o número real provavelmente seja muito maior.

    Após o pico de concentrações registrado no fim da semana passada, as autoridades tentaram retomar o controle das ruas organizando uma “marcha de resistência nacional” e os funerais de mais de 100 integrantes das forças de segurança e outros “mártires” mortos nos protestos.

    Em frente à Universidade de Teerã, milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira para os funerais.

    “Morte aos Estados Unidos!”, diziam as faixas de alguns dos presentes, enquanto outros portavam fotos de Khamenei e bandeiras da República Islâmica, segundo um jornalista da AFP.

    Araghchi assegurou que “após três dias de operação terrorista, agora há calma” e que as autoridades recuperaram o “controle total da situação”.

    O comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, indicou que suas forças estão preparadas “para responder com firmeza ao erro de julgamento do inimigo” e acusou Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de serem os “assassinos da juventude do Irã”.

    Diante dessas “tensões regionais”, o Catar informou que a base americana de Al Udeid, a mais importante no Oriente Médio, foi parcialmente evacuada.

    Teerã lançou mísseis contra essa base, situada 190 km ao sul do Irã, em junho de 2025, em resposta aos bombardeios de Washington contra instalações nucleares iranianas.

    Em paralelo, o Reino Unido anunciou que “fechou temporariamente” sua embaixada em Teerã, e a Espanha instou seus cidadãos a deixarem o país.

    Por sua vez, os países do G7 declararam-se, nesta quarta, “profundamente alarmados com o elevado número de mortos e feridos relatado” e advertiram que vão impor mais sanções caso a repressão não cesse.

    Até o momento, as autoridades não divulgaram nenhum balanço oficial, e outro funcionário detalhou que a identificação das vítimas ainda estava em andamento.

    Antes das declarações de Trump, ativistas de direitos humanos haviam expressado preocupação com possíveis execuções sumárias.

    Segundo a organização especializada em cibersegurança Netblocks, a internet já está cortada há 144 horas no país, o que dificulta o acesso à informação. A comunicação telefônica continua limitada.

    Ainda assim, algumas informações acabam vazando. Novos vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul de Teerã.

    No entanto, parece que a intensidade dos protestos diminuiu drasticamente.

    O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, afirmou que as autoridades estavam utilizando “um nível de brutalidade sem precedentes para reprimir as manifestações” e que os relatos sobre atividades de protesto na terça-feira estavam em “um nível relativamente baixo”.

    *Com AFP 

    Fonte: Jovem Pan News

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