Mecanismo de auditoria pública utilizado pela Justiça Eleitoral para verificar a correta contabilização dos votos e a segurança do software eleitoral
A legitimidade do processo democrático brasileiro apoia-se em um complexo sistema de freios e contrapesos tecnológicos e procedimentais. Para compreender o que é e como funciona o teste de integridade das urnas eletrônicas, é necessário situá-lo como uma das principais etapas de fiscalização do sistema eletrônico de votação. Este procedimento, realizado no mesmo dia do pleito, simula uma votação normal para comprovar que o voto digitado pelo eleitor na urna é exatamente o mesmo que será contabilizado pelo computador, funcionando como uma prova de conceito em tempo real da confiabilidade do software e do hardware utilizados pela Justiça Eleitoral.
O teste de integridade, tecnicamente, é uma auditoria de funcionamento. Sua atribuição central é verificar a consistência do comportamento da urna eletrônica sob condições normais de uso. Diferente de uma análise de código-fonte — que ocorre em etapas anteriores e em ambiente controlado —, este teste foca no resultado prático da interação entre o eleitor e a máquina.
As funções primordiais deste procedimento incluem:
A implementação dessa auditoria não é recente. O procedimento foi instituído pela Justiça Eleitoral em 2002, sob a denominação de “Votação Paralela”. A mudança de nomenclatura para “Teste de Integridade” ocorreu posteriormente, visando tornar o termo mais descritivo e transparente para o eleitorado.
Historicamente, o processo é regulamentado por resoluções expedidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cada ciclo eleitoral. A Resolução TSE nº 23.673/2021, por exemplo, consolidou as diretrizes para os procedimentos de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação. Desde a sua criação, o teste tem evoluído para incluir um número maior de urnas auditadas e, mais recentemente, a introdução de projetos-piloto com biometria, ampliando as camadas de verificação de segurança.
Para entender como funciona o teste de integridade das urnas eletrônicas na prática, deve-se observar a sequência rigorosa de atos que se iniciam na véspera da eleição e se estendem até o final da votação oficial. O processo ocorre nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e em locais públicos designados, sendo totalmente filmado e aberto ao público.
O funcionamento obedece às seguintes etapas críticas:
Em eleições recentes, introduziu-se também o “Teste de Integridade com Biometria” em seções eleitorais reais, onde eleitores voluntários, após votarem oficialmente, desbloqueiam uma urna de teste com sua biometria para que auditores realizem a verificação, garantindo que o sistema biométrico também seja testado em cenário real.
A relevância do teste de integridade reside na sua capacidade de materializar a segurança do voto eletrônico de forma compreensível. Ao criar um espelho físico (cédulas de papel) de uma votação eletrônica e demonstrar que os totais coincidem, a Justiça Eleitoral oferece uma resposta técnica às indagações sobre a inviolabilidade da urna.
Além disso, o procedimento reforça a soberania do processo eleitoral ao descentralizar a fiscalização. A presença de auditores externos, incluindo peritos da Polícia Federal e representantes de organismos internacionais, assegura que o sistema não opera em uma “caixa preta”, mas sim sob escrutínio público constante. A redundância gerada pela comparação entre o meio físico e o digital é um pilar fundamental para a aceitação dos resultados das urnas.
O teste de integridade consolida-se, portanto, como uma ferramenta indispensável no arcabouço jurídico e tecnológico do sistema eleitoral brasileiro. Ao validar a correlação exata entre a intenção do eleitor e o registro digital, o procedimento mitiga riscos de desinformação e fortalece a confiança nas instituições democráticas, demonstrando, a cada pleito, a robustez e a auditabilidade das urnas eletrônicas.
Fonte: Jovem Pan News


