O senador afirmou que o acesso aos dados coletados na quebra de sigilos do dono do Banco Master será concedido depois de a Polícia Federal finalizar a compilação das informações
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) disse nesta terça-feira (3) que os documentos referentes à quebra de sigilos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, serão devolvidos à para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Em dezembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que as informações ficassem sob tutela do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Carlos Viana, também presidente da CPMI do INSS, informou que os dados de Vorcaro retornarão para a comissão “em torno de duas a três semanas”, depois que a Polícia Federal (PF) finalizar a compilação dos documentos. “O momento foi bem explicado pelo ministro [Toffoli], a investigação ainda está em curso e várias informações estão no celular de Daniel Vorcaro”, disse o senador.
O senador afirmou que vai marcar o comparecimento de Vorcaro na CPMI para 19 de fevereiro. O depoimento do dono do Banco Master estava inicialmente previsto para quinta-feira (5). Agora, na data, o comitê irá ouvir o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.
Segundo Carlos Viana, a defesa pediu à CPMI para adiar a ida do dono do Banco Master por “questões de saúde”, mas os advogados não detalharam qual era o problema enfrentado pelo banqueiro. O presidente da CPMI INSS acrescentou que concordou com o adiamento desde que não fosse apresentado habeas corpus para impedir o comparecimento de Vorcaro na nova data.
Carlos Viana afirmou que, caso a defesa apresente habeas corpus para evitar a ida do dono do Banco Master, a CPMI irá fazer uma condução coercitiva. “Daniel Vorcaro está disposto a vir, de forma, inclusive, aberta”, disse o senador.
A CPMI do INSS aprovou, em 4 de dezembro, a convocação do banqueiro e a quebra dos sigilos “telemático, bancário e fiscal”. Segundo o requerimento da comissão, a intimação do dono do Banco Master é “necessária” para a prestação de “esclarecimentos acerca da atuação da instituição na oferta de produtos financeiros a aposentados e pensionistas, incluindo o crédito consignado”.
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e retoma os trabalhos na quinta. Neste ano o trabalho da comissão será concentrado em análises de fraudes em empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis. Em 2025, o comitê ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “Careca do INSS”.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”. Segundo os dados apurados pela CPMI, o “Careca no INSS” seria o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses. Vários convocados optaram por permanecer em silêncio amparados por habeas corpus. Outras testemunhas, segundo os senadores, mentiram durante a prestação de esclarecimentos.
Fonte: Jovem Pan News


