O ex-presidente boliviano Evo Morales exigiu a renúncia de Rodrigo Paz e a convocação de novas eleições em 90 dias. A declaração ocorreu neste domingo (24), em meio a intensos protestos contra o governo de Paz. O atual presidente, no poder há seis meses, enfrenta a mais severa crise econômica do país em quarenta anos, impulsionada pela escassez de dólares.
Morales Aponta Caminhos para Superar Crise
Morales, em seu programa de rádio semanal na emissora Kawsachun Coca, do movimento cocaleiro, apresentou dois cenários para o governo. “Paz tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (…) pacificação, transição e eleições em 90 dias”, disse ele neste domingo (24).
Os manifestantes resistem às reformas propostas pelo governo e acusam Paz de ignorar suas reivindicações. Por sua vez, Paz afirma que Morales está por trás dos protestos que desestabilizam o país.
Bloqueios Intensificam Crise Humanitária e Econômica
Nas últimas três semanas, dezenas de rodovias que levam a La Paz, a sede do governo, foram bloqueadas. A medida gerou escassez de alimentos, medicamentos e combustível na cidade. A situação agravou os efeitos da inflação, que atingiu 14% em abril de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Morales reiterou que “para evitar mortes e feridos, a pacificação depende” da renúncia de Paz e de um “presidente de transição” que convoque eleições dentro do prazo de 90 dias.
O governo boliviano denunciou as manifestações perante a Organização dos Estados Americanos (OEA). Alega que as ações visam “desestabilizar a ordem democrática”. O governo acusa Morales, um foragido procurado por suposto tráfico de uma menor, de instigar os protestos. A agitação política na Bolívia reflete tensões crescentes.
Histórico Político de Evo Morales
Evo Morales presidiu a Bolívia entre 2006 e 2019. O líder cocaleiro foi impedido de participar das eleições presidenciais de 2025. Uma decisão constitucional limitou as reeleições, barrando sua candidatura.


