O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, trouxe à tona uma nova versão sobre a controversa visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após a primeira prisão do empresário em novembro de 2025. Em entrevista à Globo News, Valdemar afirmou que o pré-candidato à presidência buscou Vorcaro para “ver se conseguia o restante do dinheiro” destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retratará a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A revelação de Valdemar contradiz diretamente a explicação anterior de Flávio Bolsonaro. O senador havia declarado, em comunicado e em entrevistas, que seu encontro com Vorcaro, então sob monitoramento eletrônico em São Paulo, teve como objetivo “dar um ponto final” na relação. Flávio argumentou que, se soubesse da gravidade da situação do banqueiro, teria procurado outro investidor há muito mais tempo para evitar riscos ao projeto cinematográfico.
Apesar de sua afirmação, Valdemar Costa Neto disse não ter conversado com Flávio sobre o assunto e que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa. O presidente do PL, contudo, considerou a visita “a coisa mais natural do mundo”, minimizando a situação. “Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. O que o Flávio fez é a coisa mais natural do mundo”, declarou. Ele acrescentou que não veria problema no uso de dinheiro de banco privado para o filme, ressaltando que a questão surgiria apenas se houvesse financiamento público, como de instituições como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. As investigações apontavam para a “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro”, que teriam sido vendidas ao Banco de Brasília (BRB) e, após fiscalização do Banco Central, substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada. O banqueiro foi solto 12 dias depois, mediante habeas corpus, mas voltou a ser detido em 4 de março deste ano, na terceira fase da mesma operação.


