O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 28 de maio de 2026, a Operação Janus. A ação combate crimes praticados por policiais militares lotados na 13ª Companhia Independente da Polícia Militar, sediada em Ribas do Rio Pardo. A operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e onze de busca e apreensão domiciliar nas cidades de Campo Grande e Ribas do Rio Pardo.
A investigação, iniciada no começo de 2025, expôs uma associação criminosa entre policiais militares e traficantes locais. Os agentes públicos, segundo o MPMS, protegiam os criminosos, permitindo o comércio ilícito de entorpecentes. Em alguns casos, a violência era empregada contra rivais dos traficantes parceiros. A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado apoia a operação.
Detalhes da Rede Criminosa
“O trabalho investigativo, que perdurou por 14 meses, demonstrou que os agentes públicos protegiam os criminosos com os quais firmavam parceria, permitindo que comercializassem drogas livremente e até chegavam a usar violência contra inimigos desses traficantes parceiros”, diz nota do Ministério Público Estadual. A denúncia indica que os policiais forneciam drogas para revenda por seus comparsas, com posterior repasse de lucros. Parte das substâncias era desviada de apreensões realizadas em flagrante, muitas vezes após informações passadas pelos próprios “sócios” na mercancia ilícita.
Além do tráfico, os policiais investigados também atuavam em outras práticas criminosas. “Também restou apurado que alguns dos policiais militares investigados atuavam na prática ilícita da agiotagem e na cobrança de dívidas entre terceiros, quando eram contratados para empregar ameaças contra os devedores, valendo-se, evidentemente, da condição de servidores da segurança pública”, complementa o MPMS.


