Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, rebateu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (29). O senador criticou a posição do presidente sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Bolsonaro defendeu a medida americana e a “soberania do povo brasileiro” em vídeo publicado no Instagram.
Defesa da Ação Americana e Crítica a Lula
O parlamentar destacou a situação das comunidades brasileiras. “É a soberania das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas. Um governo paralelo, impondo violência, covardia, medo. O povo brasileiro não aguenta mais viver com medo por causa desse tipo de gente”, afirmou Flávio Bolsonaro. Ele também criticou o presidente Lula por referir-se ao PCC e ao CV como “nossos criminosos”.
Mais cedo, o chefe do Executivo se manifestou sobre a medida dos Estados Unidos. Lula participou de um evento em Laranjeiras, Sergipe. “Estou muito triste com a notícia de que o secretário [de Estado] dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que os nossos criminosos são terroristas e que os norte-americanos podem fazer intervenção. Sabe por que estou triste? Porque o Comando Vermelho e o PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades”, declarou o presidente. Veja mais sobre a reação de Lula à classificação dos EUA.
Posicionamento do Governo Federal
O presidente Lula reiterou que o enfrentamento às facções ocorrerá internamente. Ele mencionou as leis Antifacção e de Combate ao Crime Organizado. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui (o Brasil) não é um país qualquer. É um país muito grande”, afirmou o chefe do Executivo.
Antes da fala de Lula, o governo federal emitiu uma nota oficial. O comunicado criticou as ações da família Bolsonaro no exterior. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, dizia a nota. O texto ainda classificou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como “falsos patriotas” que “tentam” manipular politicamente conceitos de segurança pública. O tema da classificação de facções agita o cenário político para as eleições de 2026.
Classificação Americana e Contexto
Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do CV. As facções agora são consideradas Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). O órgão também informou sua intenção de enquadrar ambas as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). Saiba mais sobre como os EUA Sancionam PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas Transnacionais.
Segundo a nota do governo norte-americano, o CV e o PCC são duas das organizações criminosas “mais violentas” do Brasil. “Juntas, comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras, por toda a nossa região e por todo o país”, detalhou o documento.
A decisão dos Estados Unidos sobre as facções brasileiras ocorreu após um encontro. Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com Marco Rubio. Durante a reunião com o republicano, o senador pediu a classificação do PCC e do CV como terroristas.


