O Palácio do Planalto convocou uma reunião de emergência nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026. O objetivo foi discutir a designação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A medida do governo Donald Trump gerou preocupação no Brasil, que defende a soberania nacional e avalia os potenciais impactos econômicos e financeiros.
Reunião de Cúpula no Planalto
Ministros e autoridades-chave participaram do encontro, que começou pela manhã e se estendeu até o início da tarde. Estiveram presentes Dario Durigan, da Fazenda, Wellington César, da Justiça e Segurança Pública, e Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Assessores do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e integrantes da Assessoria Especial da Presidência da República, incluindo o embaixador Audo Faleiro, também compareceram.
Novos encontros devem ocorrer nos ministérios envolvidos, dando continuidade às discussões sobre o tema.
Resposta do Governo e Críticas aos Bolsonaro
A reunião ajudou a moldar o tom da resposta oficial do governo brasileiro. Em nota publicada pela Secretaria Especial de Comunicação Social, o Planalto reiterou a defesa da soberania nacional. O texto também criticou publicamente os pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente pela oposição nas eleições de 2026, e de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que abordaram autoridades americanas sobre o tema. O Governo Lula criticou os EUA pela classificação e acusou a família Bolsonaro de ataque à soberania.
O governo Lula havia programado a reunião na noite da quinta-feira, 28, após o Departamento de Estado dos EUA oficializar a decisão. O Planalto já se organizava para uma resposta contundente, em um movimento que remete à ação do presidente Lula durante o “tarifaço” de 9 de julho de 2025.
Impacto Econômico e Financeiro
O encontro também abordou os possíveis desdobramentos da medida e os temores de impacto econômico e financeiro. Representantes da diplomacia brasileira relataram manifestações de risco vindas do setor financeiro. O governo brasileiro enxerga ameaças ao sistema PIX, ferramenta de transações digitais criada pelo Banco Central, já sob investigação comercial americana. Essa apuração, prestes a ser concluída, pode servir de base para novas tarifas.
A principal preocupação reside no potencial impacto sobre bancos nacionais. Estas instituições podem se tornar alvo de sanções do Tesouro dos EUA, o que as impediria de realizar operações internacionais. Situação similar ocorreu com três instituições financeiras do México, acusadas de lavar dinheiro de cartéis. A classificação pelos EUA gerou um alerta do Brasil para a soberania.
O vice-presidente Geraldo Alckmin resumiu a gravidade da situação em São Paulo: “Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia.”
Contexto da Classificação
O PCC e o CV representam as mais recentes organizações criminosas, focadas principalmente no tráfico de drogas, a serem designadas pelo Departamento de Estado. Anteriormente, o governo Trump aplicou a mesma medida a 14 grupos latino-americanos, predominantemente cartéis mexicanos de grande poder.


