A 14ª edição do Fórum de Lisboa começou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, na Universidade de Lisboa, Portugal. O evento se estende até quarta-feira, 3 de junho, e reúne ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do governo federal, governadores, parlamentares e empresários brasileiros. O encontro discute temas como direito constitucional, democracia, economia, tecnologia, regulação e gestão pública. Controvérsias sobre os custos de participação de funcionários públicos e o financiamento de edições anteriores marcam a abertura.
O ministro do STF Gilmar Mendes criou o fórum, que adota em 2026 o tema “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”. A Presidência da República Portuguesa patrocina o evento. A organização é feita pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Fundação Getulio Vargas e instituições ligadas à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Gastos Públicos e Patrocínio Privado Geram Debate
A participação de funcionários públicos brasileiros no Fórum de Lisboa tem parte dos custos de viagem coberta por verba pública. O Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal de Contas da União (TCU) foram os únicos a divulgar valores até o momento. Juntos, eles disponibilizarão R$ 692 mil em diárias a seus membros e funcionários para a edição de 2026.
Documentos da Polícia Federal revelaram que o Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, custeou eventos paralelos e despesas de políticos na edição de 2025 do fórum. A repercussão do evento aumentou nos últimos anos no Brasil devido à alta concentração de autoridades em Portugal. O apelido “Gilmarpalooza” surgiu da associação com o festival de música Lollapalooza e a forte presença do ministro Gilmar Mendes na produção.
O foco em grandes eventos e a presença de autoridades levanta questões sobre a transparência e a destinação dos recursos, tanto públicos quanto privados. Essas discussões se inserem em um contexto de maior escrutínio sobre a gestão pública e a conduta de figuras políticas, como observado em outros debates nacionais.
Ausência de Ministro Flávio Dino
O ministro do STF Flávio Dino havia confirmado sua participação, mas cancelou a viagem. Na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, Dino divulgou uma nota explicando sua ausência. “Alcançado por um pequeno acidente doméstico, não obtive autorização médica para um longo voo até Lisboa, a fim de participar de mais uma edição do sempre bem-sucedido Fórum, coordenado pelo colega e amigo Gilmar Mendes”, declarou.
Dino elogiou o ministro Gilmar Mendes e a relevância do evento. “Ele, que é um dos mais cultos e imprescindíveis juristas da história constitucional do Brasil, está mais uma vez prestando o serviço de reunir, em painéis instigantes, palestrantes oriundos de vários ramos do conhecimento humano, de países diversos, com visões plurais e diferentes experiências”, afirmou. A ausência de Dino é notável, dado o perfil dos participantes do fórum e a proeminência de figuras como o próprio Gilmar Mendes em diversos debates públicos. O período que antecede as eleições de 2026 intensifica a atenção sobre a atuação e os encontros de figuras políticas e jurídicas.


