O governo federal reagiu com forte indignação à conclusão preliminar da investigação da Seção 301 conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, após reunião com a equipe econômica, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as recomendações de novas tarifas sobre produtos brasileiros como “injusta” e “descabida”. Alckmin afirmou que a administração recebeu a decisão com revolta e rebateu os argumentos norte-americanos.
O PIX, sistema de pagamentos instantâneos, emergiu como o principal símbolo da reação governamental. Alckmin destacou o PIX como um patrimônio nacional, sem prejuízo a empresas estrangeiras, e garantiu tratamento igualitário a companhias americanas e brasileiras. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou que o PIX “não está e não estará na mesa de negociação”. Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, reforçou a posição, definindo o sistema como o “maior símbolo da soberania financeira brasileira” e assegurando sua proteção pelo governo.
Críticas a Pontos da Investigação e Dados Econômicos
Os representantes brasileiros contestaram outros pontos da investigação norte-americana. Eles rebateram as alegações sobre os acordos comerciais do Mercosul, a política ambiental, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual e as tarifas aplicadas ao etanol. O governo ressaltou que os Estados Unidos são os maiores beneficiários do sistema brasileiro de patentes, respondendo por aproximadamente 30% dos registros analisados pelo INPI.
Alckmin também destacou a balança comercial. De acordo com dados apresentados, os Estados Unidos registraram um superávit superior a US$ 40 bilhões em bens e serviços na relação comercial com o Brasil em 2025. Além disso, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entram no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação.
Acusações à Oposição e Continuidade das Negociações
A coletiva de imprensa incluiu críticas diretas à oposição. Alckmin acusou “falsos patriotas” de sabotar interesses nacionais ao atuar politicamente junto ao governo americano. Márcio Elias Rosa citou nominalmente o senador Flávio Bolsonaro e afirmou que iniciativas da oposição dificultam o avanço das negociações bilaterais.
Em nota, o governo aprofundou as acusações, afirmando que a investigação da Seção 301 teve início em julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro. O texto oficial acusa integrantes da oposição de conspirar contra os interesses nacionais e de sabotar o diálogo construído entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Este posicionamento reforça a tensão política em torno das relações comerciais com os EUA. Lula acusa família Bolsonaro de “traição” por apoio a tarifas dos EUA contra o Brasil.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos continuam em andamento, com encerramento da investigação previsto para 15 de julho de 2026. A estratégia do governo foca em intensificar o diálogo com autoridades americanas e mobilizar o setor privado de ambos os países. O objetivo é evitar que as recomendações preliminares se convertam em tarifas efetivas, que o governo estima afetarem cerca de 21% das exportações brasileiras. EUA propõem tarifas de 25% ao Brasil por “retrocesso” anticorrupção.


